Time Out São Paulo

Os filmes da semana - 18/1/13

 Aproveite as estreias de cinema da semana com as nossas sinopses comentadas


Quentin Tarantino criou e habita um universo próprio que, salvo exceções (há gente chata em todo lugar, não é mesmo?), todos gostamos de frequentar sempre que possível. Com Django Livre, temos uma nova oportunidade fazê-lo. É o cineasta em sua melhor forma, reprocessando de forma insana subgêneros como o western-spaghetti para sair com algo único.

Outra estreia das mais importantes é a de Amor, do premiadíssimo cineasta Michael Haneke, sobre a possibilidade (e a impossibilidade) de que o sentimento que dá título ao filme sobreviva na relação de um casal octogenário.
Mudando de estilo, gênero e, por que não dizer, galáxia cinematográficos, O Último Desafio marca o retorno de Arnold Schwarzenegger como protagonista de um filme de ação passados quase dez anos de O Exterminador do Futuro 3. Não há surpresa alguma nisso: ele sempre disse que ia voltar.

Django Livre | Amor | O Último Desafio | Um Gladiador em Apuros | Sammy: A Grande Fuga
 

Django Livre (Django Unchained)


 

Liberto por um caçador de recompensas, um escravo tenta resgatar sua mulher, em poder de um fazendeiro sulista dos mais perversos. Assim podemos resumir Django Livre, seu enredo tão simples, tão direto. Por outro lado, não é tão simples descrever a forma com ele é abordado e desenvolvido.

Quentin Tarantino segue trabalhando com originalidade e consequência subgêneros dos mais diversos. A bola da vez é o western-spaghetti criado por Sergio Leone, que, a seu tempo, foi também um genial reprocessador de influências. A referência é evidente desde o título: Django, filme de Sergio Corbucci estrelado por Franco Nero (que faz uma ponta aqui) e lançado em 1966. Dizendo de outro modo, e a exemplo de suas fontes diretas de inspiração, Django Livre é um filme que se alimenta de outros filmes.

Não é preciso ser um cinéfilo de carteirinha para ver e perceber que, apesar do que dizem alguns, há método nesse canibalismo cinematográfico perpetrado por Tarantino. Ele tem uma noção muito clara do material que tem em mãos e do que pretende fazer com e a partir dele: criar uma atmosfera vazada de cinema por todos os lados, mas que se sustenta sozinha em meio ao caos circundante.

Django Livre é, talvez, o seu melhor trabalho. O cineasta segue construindo diálogos e situações de forma impecável, com talento tanto literário quanto cinematográfico. Mas, diferentemente do que ocorria em Bastardos Inglórios (e a exemplo do que ocorria no volume dois de Kill Bill), dessa vez ele permite que um rasgo de humanidade (boa e ruim) se insinue em meio à fanfarronice. Tanto o amor quanto o ódio são aqui palpabilíssimos. Nunca pensei que fosse escrever isso sobre um filme de Quentin Tarantino, mas Django Livre é de uma extrema beleza.

Dir. Quentin Tarantino, EUA, 2012. Jamie Foxx, Christoph Waltz, Leonardo DiCaprio, Kerry Washington, Samuel L. Jackson, Don Johnson. 165 min.

Amor (Amour)




Michael Haneke fez carreira dirigindo filmes (grandes filmes, diga-se) que observam os seres humanos com um distanciamento quase maníaco. Perto dele, Stanley Kubrick é caloroso. Patadas como O Vídeo de Benny, Funny Games, A Professora de Piano e A Fita Branca tecem comentários frequentemente cruéis sobre os animais humanos e sua inadequação no mundo, para com o outro e suas relações problemáticas com as imagens. As duas versões de Funny Games, por exemplo, são pastiches de filmes de suspense que conseguem ser mais aterrorizantes do que os produtos “originais”. Em Amor, indicado aos Oscar de Melhor Filme, Atriz (Emmanuelle Riva, de Hiroshima Mon Amour), Direção e Filme Estrangeiro, temos um casal octogenário lidando um com o outro e com os filhos, tendo em perspectiva uma vida inteira a dois e a morte que, é claro, se aproxima. Não é uma comédia romântica, crianças. Aqueles dispostos a enfrentar a aspereza de Haneke terão a oportunidade de entender por que ele é considerado um dos melhores cineastas vivos.

Dir. Michael Haneke, Áustria, França, Alemanha, 2012. Jean-Louis Trintignant, Emmanualle Riva, Isabelle Huppert, William Shimell. 127 min.

O Último Desafio (The Last Stand)



Não sei vocês, mas eu, criado numa dieta televisiva pouco saudável, sentia falta do bom e velho Arnold trucidando seres humanos na tela do cinema. Assim, posso dizer que comemoro seu retorno neste novo-velho exemplar do subgênero “sozinho (ou quase) contra todos”. Ele é um xerife que precisa se recompor a fim de dar cabo de uma quadrilha de malfeitores fugitivos. Óbvio que a história importa bem pouco. Rodrigo Santoro está em algum lugar do elenco.

Dir. Kim Jee-woon, EUA, 2012. Arnold Schwarzenegger, Luis Guzmán, Peter Stormare, Johnny Knoxville, Chris Browning, Christiana Leucas, Rodrigo Santoro. 107 min.

Um Gladiador em Apuros (Gladiatori di Roma)




Nesta animação italiana, um gladiador preguiçoso precisa ganhar uma competição no Coliseu para se casar com a mulher que ama. Gags visuais dão o tom no que talvez mantenha as crianças ocupadas por algum tempo (não muito).

Dir. Iginio Straffi, Itália, 2012. Luca Argentero, Laura Chiatti, Julianne Hough, Belén Rodríguez. Duração não informada.

Sammy: A Grande Fuga (Sammy 2: The Great Escape)




Outra animação europeia (belga, no caso), uma sequência do filme lançado em 2010. Aqui, a tartaruga marinha Sammy é sequestrada por um caçador e levada para um show aquático em Dubai. Com a ajuda dos amigos, precisa bolar um plano para fugir dali.

Dir. Ben Stassen, Vincent Kesteloot, Bélgica, 2012. Wesley Johnny, Billy Unger, Carson McCullers II, Isabelle Fuhrman. Duração não informada.

Escrito por André de Leones
Compartilhe

Comentários dos leitores

blog comments powered by Disqus

Outras notícias recomendadas

Os filmes da semana – 01/12/2016

Ceia de Natal da Casa Santa Luzia

Rodízio de brigadeiro