Os filmes da semana - 25/1/13

 Aproveite as estreias de cinema da semana com as nossas sinopses comentadas

Fox Films / Divulgação
Daniel Day-Lewis em cena do filme 'Lincoln'
Daniel Day-Lewis em cena do filme 'Lincoln'


Três novos filmes de três grandes cineastas chegam aos cinemas nesta sexta-feira. Steven Spielberg, Paul Thomas Anderson e Werner Herzog são donos de filmografias tão ímpares quanto diferentes entre si.

Do primeiro, que dispensa apresentações, estreia Lincoln, alentado e corajoso retrato dos últimos meses de vida do mítico presidente dos EUA que ajudou o país a superar uma Guerra Civil e a abolir a escravidão. Anderson, diretor de Magnólia e Sangue Negro, investiga as relações entre religião e poder em O Mestre. E, por fim, Herzog, autor de clássicos como O Enigma de Kaspar Hauser e Fitzcarraldo, recorre pela primeira vez à tecnologia 3D no documentário A Caverna dos Sonhos Perdidos. Eis o que poderíamos chamar de uma semana auspiciosa.

Lincoln | O Mestre | A Caverna dos Sonhos Esquecidos | Crazy Horse | João E Maria – Caçadores de Bruxas | País do Desejo | O Resgate | Titeuf – O Filme
 

Lincoln




Ao contrário do que possa parecer, Lincoln, de Steven Spielberg, não é uma hagiografia. O problema, em se tratando da personagem em questão, é que nem mesmo alguém brilhantemente cínico como o escritor Gore Vidal (autor de um belo romance histórico a seu respeito) encontrou algo de desabonador para explorar. Abraham Lincoln, 16º presidente dos EUA, ainda hoje nos parece grande demais, e mítico, quase intangível. Ao enfrentar a pior crise da história de seu país, uma guerra civil que rasgou a nação ao meio e matou quase um milhão de pessoas, conseguiu não só debelar os rebeldes secessionistas como, de quebra, abolir a escravidão.

O filme de Spielberg se ocupa dos meses finais de sua vida, entre o fim do primeiro e o início do segundo mandato. A Guerra da Secessão (1861-1865) está perto do fim e a maior preocupação do presidente, interpretado por Daniel Day-Lewis de forma impressionante, é conseguir a aprovação, junto ao congresso, da 13ª emenda, que dará fim à escravidão. 

Óbvio que a corrupção corre solta, mas o que são alguns conchavos e subornos quando o que se está em jogo é a erradicação de uma das maiores perversidades de que se tem notícia em toda a história? Lincoln e seus fins são os melhores possíveis. Mas, hábil político que era, tinha plena consciência de que alguns fins justificariam certos meios, ainda mais em se tratando de Washington e de um país cindido que, então, afogava-se no próprio sangue.

Por mais altissonantes que sejam algumas passagens, Spielberg em momento algum abraça quaisquer ingenuidades patrióticas. Coisas belas são ditas porque precisam ser ditas, por mais distantes que estejam do que acontece na prática, seja na guerra, seja no jogo político. 

O filme inicia e termina com o Discurso de Gettysburg, um dos mais belos já proferidos, e há uma razão para isso, é claro: se pela linguagem não buscamos e aludimos àquele fim último capaz de conferir algum significado, por débil que seja, à selvageria em curso, tudo perde o sentido e a violência acaba por encontrar um fim em si mesma. Spielberg parece contrapor essa noção ao esvaziamento desses ideais nos EUA desde então. 

Com Lincoln, buscava-se um sentido maior, uma ideia de nação ulterior às escaramuças cotidianas e a manutenção de uma série de princípios norteadores, por assim dizer. Com Nixon, Reagan, os Bush e Obama, para ficar em uns poucos e recentes exemplos, são palavras vazias lançadas no vácuo, uma vez que os próprios fins encontram-se irremediavelmente corrompidos. Em seus melhores momentos, e dadas as atuais circunstâncias, tem-se a impressão de que Lincoln funciona como uma espécie de réquiem por seu país.

Dir. Steven Spielberg, EUA, 2012. Daniel Day-Lewis, Sally Field, David Strathairn, Tommy Lee Jones, Joseph Gordon-Levitt, Tim Blake Nelson, Hal Holbrook. 150 min.

O Mestre (The Master)

 



Estamos nos EUA da década de 1950. Lancaster Dodd é um sujeito dos mais carismáticos e, não por acaso, líder de uma espécie de seita religiosa. Entre seus seguidores, cujo número não para de aumentar, está Freddie, um veterano da II Guerra Mundial. Aos poucos, Freddie começa a questionar a própria fé e, por decorrência, o seu mestre, Dodd. Meia década após o estupendo Sangue Negro, Paul Thomas Anderson rege uma espécie de fábula que tem muito a dizer sobre a forma como tantos são manipulados com tão pouco.

Dir. Paul Thomas Anderson, EUA, 2012. Joaquin Phoenix, Philip Seymour Hoffman, Amy Adams, Laura Dern. 144 min.

A Caverna dos Sonhos Esquecidos (City of Forgotten Dreams)


O veterano cineasta alemão Werner Herzog recorre ao 3D para nos levar a um passeio por uma caverna que, descoberta em 1994 por um grupo de cientistas, esteve perfeitamente preservada por mais de 20 mil anos.

Dir. Werner Herzog, Canadá, EUA, França, Alemanha, Reino Unido, 2010. 90 min.

Crazy Horse


 

Frederick Wiseman tem mais de quarenta documentários no currículo. Embora se oponha à categorização cinema verité, ele é um mestre em devassar ambientes e fornecer retratos vívidos do que quer que esteja focalizando. Em Crazy Horse, Wiseman vai ao lendário cabaré parisiense de mesmo nome e acompanha os bastidores da montagem de um grande espetáculo.

Dir. Frederick Wiseman, EUA, França, 2011. 134 min.

João E Maria – Caçadores de Bruxas (Hansel & Gretel – Witch Hunters)


Tem surgido tanta coisa bizarra nos cinemas que daqui a pouco aqueles trailers falsos de Trovão Tropical vão parecer perfeitamente críveis. Em meses recentes, tivemos sacaneadas com Edgar Allan Poe (O Corvo) e Abraham Lincoln (Caçador de Vampiros). O título deste já explica do que se trata, de tal forma que só no resta perguntar: o que, diabos, Jeremy Renner está fazendo aqui? A hipoteca venceu?

Dir. Tommy Wirkola, EUA, Alemanha, 2012. Jeremy Renner, Genna Arterton, Peter Stormare, Famke Janssen. Duração não informada.

País do Desejo




Em parceria com Lírio Ferreira, o paraibano Paulo Caldas dirigiu Baile Perfumado, um dos melhores filmes brasileiros da década de 1990. Em sua carreira-solo, dirigiu Deserto Feliz e este País do Desejo, filme sobre uma pianista clássica (Maria Padilha) que luta contra uma doença crônica nos rins. Internada numa clínica, ela conhece um padre interpretado por Fábio Assunção. Embora a sinopse da distribuidora ameace que a vida dela “mudará completamente”, é melhor ignorar o clichê e se concentrar no que Caldas obtém a partir da premissa.

Dir. Paulo Caldas, Brasil, 2011. Maria Padilha, Fábio Assunção, Gabriel Braga Nunes, Nicolau Breyner. 78 min.

O Resgate (Stolen)




O filme acéfalo da semana traz Nicolas Cage como um ex-criminoso cuja filha é sequestrada por um comparsa de outros tempos. Ele quer o dinheiro que roubaram anos antes, mas do qual o personagem de Cage se livrou. Como proceder, então? Ora, executar um novo roubo e providenciar o resgate. O trailer avisa que o diretor é o mesmo de Mercenários 2, informação valiosíssima para quem adora barulho, reviravoltas absurdas e... mais barulho.

Dir. Simon West, EUA, 2012. Nicolas Cage, Josh Lucas, Danny Huston, Malin Akerman, Sami Gayle. 96 min.

Titeuf – O Filme (Titeuf, le Film)


 

Titeuf é um personagem de quadrinhos e desenhos animados muito famoso na França. Neste longa de animação, ele faz de tudo para ser convidado para o aniversário da garota de seus sonhos, Nadia, contando com a ajuda de seus amigos para tanto.

Dir. Zep, França, 2011. Vozes de Donald Reignoux, Mélanie Bernier, Emilie Blon-Metzinger, Zabou Breitman. 87 min 

Escrito por André de Leones
 

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