Time Out São Paulo

Os filmes da semana - 15/2/13

Planeje seu cinema com as sinopses das principais estreias


Apenas três estreias nesta semana, mas uma delas é especialíssima: A Hora Mais Escura, drama de Kathryn Bigelow em que se reconstitui a caçada a Osama bin Laden. Sem patriotadas ou catarse coletiva, o filme é um mergulho seco em uma espécie muito particular de submundo. É o melhor trabalho da diretora que, há poucos anos, desbancava Avatar no Oscar com seu também excelente Guerra ao Terror.
As outras opções são o drama premiado em festivais As Sessões e também o filme De Coração Aberto, cujo único atrativo é a presença sempre invulgar de Juliette Binoche.
 
A Hora Mais Escura | As Sessões | De Coração Aberto

A Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty)


A partir da ótica de uma obcecada agente da CIA interpretada por Jessica Chastain, a premiada Kathryn Bigelow realizou esse filme hardcore sobre a busca pelo terrorista Osama bin Laden e, claro, seu assassinato. E me refiro ao filme como hardcore porque não há conversa fiada ou cenas gratuitas de 'heroísmo'.

Houve quem reclamasse das cenas de tortura, como se elas fossem um problema do filme e não da realidade abordada por ele. Achar que Osama foi encontrado sem o uso de "técnicas extremas de interrogatório" é de uma ingenuidade (para não dizer burrice) sem tamanho. Não há heróis ou mocinhos no submundo da alta espionagem, só antagonistas.

Bigelow evita com inteligência todos os vícios em que poderia incorrer ao lidar com o tema. Não faz discursos, não procura por justificativas. É a mesma qualidade que engrandece Munique, de Steven Spielberg.

Em A Hora Mais Escura, há uma cena muito boa na qual os agentes da CIA discutem seu próximo movimento enquanto, na TV, Barack Obama diz em entrevista que os EUA não praticam mais tortura. Não muito tempo antes, vimos enfiarem um saudita espancado, aterrorizado e sujo com os próprios excrementos dentro de uma caixa. Não há muito espaço para sutilezas aqui.

Ademais, a honestidade é o que está entre as maiores qualidades de A Hora Mais Escura, o fato de o assassinato de Osama, ao final, ser isento de catarse ou triunfalismo. Do que é que se trata, afinal? "Assassinato seletivo", no jargão da realpolitik. Um bando de SEALs (Fuzileiros Navais da Elite da Marinha) invadindo uma fortaleza e matando o responsável pelo maior atentado terrorista da história. E, depois, Bigelow nos oferece um dos closes mais lancinantes já vistos em uma tela de cinema: a expressão exausta no rosto de Chastain, ao fim de tudo. Ela não respira aliviada, e tampouco o espectador. Cinema dos grandes.

Dir. Kathryn Bigelow, EUA, 2012. Jessica Chastain, Kyle Chandler, Jason Clark, Reda Kateb. 157 min.

As Sessões (The Sessions)

As Sessões é baseado nos escritos autobiográficos do jornalista e poeta Mark O’Brien. É a história inusitada (para dizer o mínimo) de um homem que passou a maior parte de sua existência vivendo graças a um respirador artificial. Aos 38 anos, ele decide que é chegado o momento de perder a virgindade. Para tanto, contará com ajuda de seu terapeuta e de um padre. O lance é confiar no veteraníssimo Ben Lewin e em um elenco capaz de afastar a história de quaisquer bizarrices, tornando-a calorosamente humana.

Dir. Ben Lewin, EUA, 2012. John Hawkes, Helen Hunt, William H. Macy, Moon Bloodgood, Adam Arkin. 95 min.

De Coração Aberto (À Coeur Ouvert)



Casal de médicos repensa sua união de dez anos em função de uma gravidez inesperada. Único atrativo desse drama franco-argentino insosso é a atuação sempre intensa de Juliette Binoche, certa vez referida por Paulo Francis como Juliette “Brioche”.

Dir. Marion Laine, França, Argentina, 2012. Juliette Binoche, Édgar Ramírez, Hippolyte Girardot, Amandine Dewasmes. 87 min.

Escrito por André de Leones
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