Os filmes da semana -7/6/2013

Aproveite as estreias de cinema da semana com as nossas sinopses comentadas

Daniel Smith/Divulgação
Leonardo DiCaprio e Carey Mulligan em cena de 'O Grande Gatsby'


M. Night Shyamalan é um corpo estranho no cinemão norte-americano. Alcançou sucesso estrondoso com seu terceiro longa, O Sexto Sentido. Depois, no entender de parte da imprensa (e da parcela do publico que compra esse tipo de juízo definitivo e infundado), teria se tormado refém de uma “fórmula” (reviravoltas chocantes no desfecho). Na verdade, ele estava desenvolvendo uma filmografia interessantíssima, repleta de comentários sutis sobre os EUA do começo do século XXI e que conta com pelo menos duas obras-primas: Sinais e A Vila. Desde O Sexto Sentido, errou a mão apenas uma vez, com o infeliz O Último Mestre do Ar. Com a estreia de Depois da Terra, chegou o momento de conferir se ele voltou aos trilhos.

Além do novo Shyamalan, o fim de semana nos traz uma bomba, a adaptação de O Grande Gatsby pelo paupérrimo Baz Luhrmann.

Leia sobre essas e outras estreias abaixo.

O Grande GatsbyAlém do Arco-Íris | Odeio o Dia dos Namorados | Réquiem para Laura Martin | Depois da TerraMundo Invisível

O Grande Gatsby (The Great Gatsby)




Não se trata de purismo, mas a verdade é que Baz Luhrmann sempre demonstra uma ignorância artística colossal ao abordar clássicos da literatura. Bons cineastas já se apropriaram desse tipo de material e ofereceram visões repletas de frescor (vide Hamlet, de Kenneth Branagh, ou Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola, que adapta O Coração das Trevas, de Conrad, ou ainda o caso extremo de E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?, dos irmãos Coen, que levaram a Odisseia de Homero para o sul dos EUA dos anos 1930). Luhrmann opta por outro caminho. Em vez de se aproximar e nos aproximar da obra que está adaptando, ele se lança em viagens histéricas que já nascem datadas.

É um pecado mortal, posto que qualquer definição do termo “clássico” fatalmente trará a palavra “atemporal”. Pior: preocupado com essa efervescência audiovisual calcada em anacronismos, como se cinema fosse uma interminável e ensurdecedora queima de fogos na qual todos se queimam, ele se esquece do principal: história e personagens. Sua versão do clássico de F. Scott Fitzgerald é um desastre de quase duas horas e meia no qual alguns dos temas da obra (o sonho americano tornado pesadelo, o anseio irrefreável por recuperar algo que nunca tivemos de fato etc.) são sistematicamente afogados ou sequer esboçados.

Dir. Baz Luhrmann, EUA, 2013. Leonardo DiCaprio, Tobey Maguire, Carey Mulligan, Isla Fisher. 142 min.

Além do Arco-Íris (Au bout du conte)


Agnès Jaoui escreve, estrela e dirige esta comédia romântica sobre uma mulher de 24 anos que espera pelo homem certo. Ao conhecer alguém numa festa, pensa ter chegado o momento. A atmosfera de banalidade corrói o filme inteiro, como aliás já acontecia em O Gosto dos Outros¸ talvez o maior sucesso comercial de Jaoui como diretora.

Dir. Agnès Jaoui, França, 2013. Agnès Jaoui, Arthur Dupont, Jean-Pierre Bacri, Agathe Bonitzer, Benjamin Biolay. 112 min.

Odeio o Dia dos Namorados




Comédia nacional sobre uma publicitária que privilegia a carreira em detrimento da vida amorosa. Ela tem de apresentar uma campanha das mais importantes para um cliente que é um ex-namorado. Má estética televisiva em mais um pastel recheado com vento.

Dir. Roberto Santucci, Brasil, 2013. Heloisa Perissé, Marcelo Saback, Daniel Boaventura, Danielle Winits. Duração não informada.

Réquiem para Laura Martin




Um maestro divide sua obsessão pela música com o amor também doentio por sua musa, Laura. Forma-se, então, um inusitado triângulo amoroso envolvendo o maestro, sua esposa e Laura.

Dir. Luiz Rangel, Paulo Duarte, Brasil, 2012. Anselmo Vasconcellos, Claudia Alencar, Ana Paula Serpa, Carlos Mossy, Luciano Szafir. 105 min.

Depois da Terra (After Earth)




M. Night Shyamalan teceu comentários sutis sobre o clima paranoico que tomou os EUA pós-11/09 em A Vila. Antes e depois, mostrou-se habilíssimo na criação do suspense (pela via da sugestão) em sucessos como O Sexto Sentido e Sinais. A Dama na Água é um bela elegia ao próprio ato de narrar. Ele naufragou com O Último Mestre do Ar. Do ponto de vista da audiência, seu cinema não correspondia aos desejos da massa (o que é ótimo, diga-se) desde A Vila. A verdade é que Shyamalan sempre procurou desenvolver suas histórias de maneira compassada e alusiva, coisa ininteligível para muitos.

Há temas maiores calçando o que vemos na tela, seja a fé (Sinais), seja, como é o caso deste bom Depois da Terra, a relação pai e filho. Uma das boas surpresas do filme é que ele é menos sobre o personagem de Will Smith e bem mais sobre o seu filho, Jaden Smith. Há, portanto, um motor maior colocando o enredo em andamento. Maior, por exemplo, do que a trama futurista, quando a humanidade terá evacuado a Terra, tornada inabitável, e, lançada em colônias no espaço, combate uma raça alienígena.

Quando pai e filho são forçados a um pouso de emergência num planeta inóspito (adivinhe qual), Shyamalan cria uma atmosfera lindamente incômoda: somos convidados a caminhar pelo nosso planeta como se fôssemos intrusos.

Dir. M. Night Shyamalan, EUA, 2013. Jaden Smith, Will Smith, Isabelle Fuhrman, Zoë Kravitz. 100 min.

Mundo Invisível




O filme apresenta diversos seguimentos dirigidos por cineastas diferentes, todos norteados pelo tema da invisibilidade no mundo de hoje. Dentre os diretores, estão nomes como Atom Egoyan, Manoel de Oliveira e Wim Wenders.

Dir. Atom Egoyan, Manoel de Oliveira, Theo Angelopoulos, Beto Brant, Wim Wenders, Maria de Medeiros, Laís Bodanzky, Cisco Vasques, Gian Vittorio Baldi, Marco Bechis, Guy Maddin, Jerzy Stuhr, Brasil, 2012. Sonia Braga, Leon Cakoff, Denise Fraga, Jupiter Apple. 70 min.

Escrito por André de Leones
 

Comentários dos leitores

blog comments powered by Disqus
 

© 2011 - 2016 Time Out Group Ltd. All rights reserved. All material on this site is © Time Out.