Time Out São Paulo

Martin Freeman: entrevista

Ator inglês fala sobre seus papéis atuais nas franquias 'O Hobbit' e 'Sherlock' e como driblar a fama

Dou entrevistas há anos”, diz Martin Freeman. “E, nesse tempo todo, praticamente nunca li e pensei: ‘É, nos fatos e no tom, isso é exatamente o que aconteceu. Praticamente nunca.” Bem, isso é constrangedor. Ou pelo menos seria se a entrevista de hoje – conduzida ao redor de uma mesinha de vidro no hotel Claridge’s, em Londres – não tivesse fugido do script.

A princípio, o ator de 42 anos está aqui conversando conosco de novo para divulgar seu papel de protagonista em O Hobbit: A Desolação de Smaug, o segundo filme da trilogia – o diretor Peter Jackson retorna à Terra Média, após o bilionário O Hobbit: Uma Jornada Inesperada. E também para falar sobre a série Sherlock, de volta para a terceira temporada no Reino Unido na BBC.

Entre um projeto e outro, pelo menos por algumas semanas, Freeman será o maior astro de cinema da Terra. Mas nenhum dos dois traz muita novidade: O Hobbit, apesar de todas as intervenções de Jackson, continua sendo uma história de 76 anos; e cada explicação concebível para o salto em que Sherlock desafiou a morte no final da última temporada já foi especulada, contra-especulada e contra-contra-especulada pelo menos duas vezes.

Portanto, em vez de nos estendermos em pigmeus e detetives, vamos para outros assuntos. Naturalmente, Morgan Freeman, pornô gay e a encrenca com as entrevistas estão entre eles.

Seu personagem, Bilbo, se desenvolveu bastante durante O Hobbit: Uma Jornada Inesperada. O que devemos esperar da sequência A Desolação de Smaug?
Este é um filme no qual Bilbo se torna totalmente inestimável para o grupo – não é um mascote nem alguém que deva ser protegido. Ele salva a pele deles em várias ocasiões. Ele descobre ter mais personalidade e determinação do que imaginava ter.

Bilbo luta muito mais desta vez. Foi divertido?
Na verdade, eu gosto de lutar. Lutar com wargs [lobos gigantes mantidos pelos orcs] é bem divertido.

Como essas lutas são simuladas?
Geralmente, são os dublês, vestidos com umas roupas verdes, que carregam uma cabeça bem grande que você precisa espetar com uma espada ou coisa do tipo, assim, quando ela tomba para o seu lado, você tem algo contra o que reagir.

Você recebe o treinamento devido para isso?
Sim, fazemos bastante disso para nos exercitar, não por outro motivo. Acabou sendo uma filmagem bastante exaustiva – menos para mim do que para os outros. Pelo menos eu não estava carregando 50 quilos, como os anões, com trajes pesados, armaduras, equipamentos, roupas. Só aquelas barbas pesavam 1 quilo. Mas, mesmo assim, tive que me manter saudável.

Divulgação

Bilbo Baggins encara wargs com sua espada em ‘A Desolação de Smaug’ 

A última vez em que você conversou com a Time Out foi antes da estreia de Uma Jornada Inesperada. Nossa entrevista sugeriu que sua vida estava prestes a mudar. Você, pessoalmente, teve que desenvolver mais determinação?
Lembro-me de ter tido essa conversa antes de O Guia do Mochileiro das Galáxias sair [em 2005] e de pensar: “Será que tudo vai mudar?”. E não mudou, de verdade. Acredito muito que a vida muda o quanto você quiser que mude. Se você atrai toda essa loucura, ela mudará. Se não, se você deixar o mundo calmamente saber que “Não obrigado, ainda quero pegar o trem e viver minha própria vida”, então, de alguma forma, não precisa mudar.

Então, as celebridades são culpadas pela própria falta de privacidade?
Essa é uma atitude cruel – se alguém está infeliz, você deve deixar essa pessoa em paz, mesmo que ela quisesse chamar atenção cinco minutos atrás. Mas eu acho – de uma forma muito real, com muito senso comum – que, se você quiser ser famoso, você pode ser. Não é [preciso] um grande talento; se você se colocar à mostra, acontecerá com você.

Dada as especulações acerca do último episódio da série Sherlock (no qual o detetive encena sua própria morte), você teme que a grande revelação seja um anticlímax?
Na verdade, o próprio [roteirista de Sherlock] Mark Gatiss disse isso. Há algo ligeiramente mundano em saber a verdade sobre uma coisa. É como pedir ao [ilusionista] Derren Brown que explique uma das coisas incríveis que ele faz. Quando ele contar, você provavelmente dirá: “Ah, certo”. Mas, ainda assim, acho que será satisfatório. Muita gente se esforçou muito para imaginar o que aconteceu, e algumas pessoas chegaram bem perto.

A revelação será feita logo?
Vou tentar te contar a verdade aqui. Ah, não consigo lembrar em qual episódio é. Acabamos [de filmar] o terceiro, umas duas semanas atrás e... Acho que é revelado relativamente logo.

Tanto você quanto o coprotagonista Benedict Cumberbatch – coincidentemente a voz de Smaug, o dragão que dá o título do próximo filme do Hobbit – disseram que gostariam de fazer uma quarta temporada de Sherlock, mas por enquanto a BBC manteve silêncio. Houve conversas formais a respeito?
Acho que podemos presumir com segurança que haverá mais Sherlock antes do final do século.

Tanto O Hobbit quanto Sherlock inspiram um tipo de devoção cult e retrô. Há alguma diferença óbvia entre os dois grupos de fãs?
Pelo menos na Inglaterra, Sherlock é visto por milhões e milhões de pessoas: seu tio, seu primo, seu professor, a bibliotecária, o encanador. Gente comum. Mas os que realmente se fazem presentes são quase todos mulheres entre 16 e 21 anos. É uma demografia muito clara. Quanto aos fãs do Hobbit, claramente existe um monte por causa do sucesso do filme, mas eles têm sido um pouco mais reticentes, na verdade. Eles são muito educadinhos.

Sua companheira de longa data, Amanda Abbington [da série Mr. Selfridge], faz a amada de Watson, Mary Morstan, na nova temporada de Sherlock – o que, é claro, não é uma boa para o romance percebido entre Waston e Sherlock. Alguns fãs ficaram tão enlouquecidos, que a ameaçaram de morte no Twitter.
É ridículo. Para mim, eles não são fãs da série – são fãs de uma série que passa só na cabeça deles. Obviamente, eu amo Amanda e quero que todos reajam positivamente a ela; ela faz uma personagem fantástica e acrescenta muito à terceira temporada. Se as pessoas querem imaginar John e Sherlock transando, podem ficar à vontade, mas isso não terá nenhuma influência no que fazemos na série.

Você acaba de fechar com Fargo, uma série televisiva americana baseada no filme vencedor do Oscar dos irmãos Coen.
É o mesmo universo do filme, o tom é parecido, mas não baseado no filme em termos de enredo. Meu personagem é ótimo; há semelhanças dele com o personagem de William H Macy [no filme de 1996]. Billy Bob Thornton também está na série, e seu personagem aparece e ensina o meu a assumir o controle de maneira nem sempre certinha.

Você já começou a trabalhar o sotaque?
Estou tendo aulas via Skype e, bem, o peixe morre pela boca, mas acho que estou indo bem. É assustador. Não quero roubar o sotaque de Bill Macy, ou roubar um sotaque que já tenha virado comédia, então tenho recorrido ao YouTube para ver como o pessoal de Minnesota realmente fala. O problema é que alguns sotaques se prestam à comédia. Eles simplesmente se prestam à comédia.

Escrito por Nick Aveling
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