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Will Ferrell: entrevista

Ator fala sobre o homem por trás do bigode, o âncora Ron Burgundy, que está de volta no filme 'Tudo por um Furo' 

Will Ferrell é um dos reis da comédia pastelão americana há quase 20 anos. Desde sua participação de sete anos no programa de televisão ‘Saturday Night Live’, o roteirista e ator nascido na Califórnia estrelou muitos dos maiores filmes de comédia dos últimos anos. Ele vestiu lycra cintilante para viver o patinador de gelo Chazz Michael Michaels em Escorregando para a Glória, procurou o Papai Noel no clássico natalino Um Duende em Nova York e fez dupla com Mark Wahlberg na comédia policial Os Outros Caras.

Há um quê de macho exagerado em muitos de seus personagens, mas na vida real Ferrell é tranquilo e de fala mansa, ponderando suas respostas como se lhe tivessem pedido para resolver a raiz quadrada de Pi. Por isso, é difícil enquadrar o homem em sua criação mais famosa: o bombástico âncora de jornal Ron Burgundy, do filme O Âncora – A Lenda de Ron Burgundy. Dez anos após a estreia dessa comédia, ela ainda tem um séquito fiel de fãs, que contribuem para tornar Tudo por um Furo uma das comédias mais aguardadas do ano.

Tudo por um Furo é a primeira continuação em que você participa, mas não a primeira que lhe foi proposta: você recusou US$ 29 milhões para um segundo Duende em Nova York. Por quê?
O roteiro era terrível. Sério, eu estava numa posição em que o filme não seria bom e me veria preso a uma situação de entrevista como esta, em que teria de dizer: “Eu não podia recusar, eram US$ 29 milhões”, e não quero fazer filmes por esse motivo.

O que foi diferente em Tudo por um Furo?
Bom, filosoficamente falando, Adam [McKay, coroteirista e diretor de Tudo por um Furo] e eu éramos contra continuações em geral. Isso não nos interessava. Mas O Âncora ganhava cada vez mais seguidores que o cultuavam. E me lembro de ver George Clooney ou Brad Pitt divulgando o centésimo filme de Onze Homens e pensar: talvez devêssemos fazer um segundo. Esses caras fazem continuações e não são criticados!

Clooney e Pitt são atores dramáticos, enquanto você fez apenas alguns papéis menos cômicos. Você gostaria de interpretar personagens mais sérios?
Agora que não interpreto um há algum tempo, muitos jornalistas dizem “Gostei muito de seu trabalho dramático, você fará mais?”. Mas, quando faço um, dizem: “Como se sente em relação às pessoas que dizem que você só está querendo ser levado a sério?”. Você acaba de me perguntar por que não faço mais! Então, sou reprovado se faço, sou reprovado se não faço. Estou sempre de olhos abertos, mas nunca se sabe se é a coisa certa.

Você se preocupa com ter se afundado na ironia? Tem a preocupação de, se fizer algo genuíno ou sensível, as pessoas pensarem que está tentando ser engraçado?
Acho que é onde fico limitado. Definitivamente, há vários diretores que, embora respeitem o que faço de comédia, não me chamam porque pensam: “Ah, a plateia ficará esperando o pior”. Mas o que se pode fazer? É tarde demais.

Podemos falar da sua bunda? Você a mostrou em alguns de seus filmes...
Sou a Lady Gaga da comédia. Ou ela é o Will Ferrell da música pop. Você precisa se esforçar para mantê-la em forma? Não. Ela é naturalmente perfeita.

Você aceitaria fazer um nu frontal?
Aceitaria, se as circunstâncias exigissem. Mas nu frontal é completamente outra história. Nu frontal é o mais revelador!

Seu personagem Ron Burgundy não fica pelado, mas diz coisas inadequadas. Ainda assim é adorável. Por que simpatizam com ele?
Ele não é detestável. É inseguro e extravagante, e parece ser pomposo, mas na verdade só está buscando aprovação sempre. Não é racista, mas é ignorante e mal informado – ele simplesmente não sabe as regras: [usa a voz de Burgundy]: “Ah, não se deve falar isso? Mil desculpas! Obrigado!”. E aí, quando tenta consertar, fica ainda pior.

O Âncora se passa nos anos 1970, e Tudo por um Furo nos 1980. Essa época é naturalmente engraçada?
Parece ridículo quando olhamos para trás. Mas não pretendíamos fazer um filme sobre aquele período, mas sobre uma ideia. O primeiro filme é sobre sexismo e a primeira vez em que uma mulher trabalhou com um homem em uma redação. E 1980 é um ano fundamental: o lançamento da CNN, da ESPN, da TV a cabo.

Você ganhou prêmios pelo seu trabalho, mas cantou uma música no Oscar que dizia que a comédia é desprezada pelo júri. Deveria existir um Oscar para comédia?
Não, pois não sei se há uma comédia digna de Oscar todos os anos. Mas, nos anos em que haja uma comédia excepcional, espero que o corpo da direção do Oscar seja flexível o suficiente para colocá-la na mesma categoria dos outros filmes.


Escrito por Ben Williams
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