Time Out São Paulo

Cine Belas Artes está de volta

O renascimento de um ícone do cinema de São Paulo

Agora rebatizado de Caixa Belas Artes, o bom e velho Cine Belas Artes, fechado em março de 2011, está de volta. E com boas novidades. De acordo com a diretora do cinema, Barbara Sturm (que administra o complexo junto com seu pai, André Sturm), o Belas Artes terá uma sala somente para a exibição de lançamentos nacionais, chamada SP Cine, e ingressos mais acessíveis. Acrescentando também que agora o cinema terá um diferencial em comparação aos outros cinemas de rua: ingressos a R$ 20 (inteira). E a partir de 11 de agosto, todas as sessões custam R$ 10. Quem é trabalhador (com carteira de trabalho ou holerite em mãos), estudante ou idoso paga apenas R$ 5 (meia-entrada) para conferir os filmes.
Com exceção das paredes, toda a estrutura foi reformada, incluindo a parte elétrica, o ar condicionado, as poltronas, e todo o sistema de som, projeção e iluminação. A sala 4 (Cine Aleijadinho) é dedicada a filmes nacionais, dentre estreias, obras sem distribuição no mercado e clássicos. Já a sala 2 (Cândido Portinari) terá um palco para eventos mensais relacionados a outras expressões de arte, como pocket shows, videoinstalações ou até mesmo peças de teatro. Todas elas terão cadeiras numeradas, rampas de acessibilidade e assentos próprios para cadeirantes e obesos.
Segundo Barbara, o espaço tem pelo menos três novidades que destacam a relação entre o Belas Artes e o cinema autoral. Uma delas é um mural de fotos em agradecimento à mobilização popular feita para que o cinema voltasse. A outra é uma vinheta de segurança gravada com trechos de filmes clássicos como Nosferatu, Cidadão Kane, Metrópolis, Caixa de Pandora e Cão Andaluz. Por fim, as paredes terão painéis temáticos com reprodução de pôsteres do cinema italiano, de Alfred Hitchcock e do expressionismo alemão.
Em todo o cinema, percebe-se a inclusão das cores vermelho e verde à decoração. Mas é o hall que demonstra as mudanças mais evidentes, com a instalação de um espelho com mais iluminação. E a administração promete o famoso combo pipoca e refrigerante a preço mais acessível que os concorrentes. Além disso, a lanchonete terá opções para dieta vegana.

Iniciativas clássicas do Belas Artes, como o Noitão e o Cineclube, estarão de volta em agosto. Além de mencionar a importância que o cinema tem para a história de São Paulo, André Sturm também mencionou a importância do público cinéfilo da cidade. Ainda afirmou que nos próximos meses, o cinema receberá retrospectivas dos diretores Jia Zhang-ke, da China; do norte-americano Gus Van Sant, e também mostras de filmes paraguaios e africanos.

História 
Famoso pelas sessões de sexta-feira que duravam a noite inteira, o Belas Artes – que fechou em 17 de março de 2011 – foi um cinema de vanguarda e de arte desde que abriu, em 1943, como Cine Ritz. Cinéfilos, atraídos pela programação que passava longe dos blockbusters comerciais, debatiam os filmes durante horas após a sessão nos bares Riviera e Ponto 4, que ficavam em frente ao cinema, na esquina da Consolação com a Paulista. Dos bares, reduto de artistas e intelectuais, restou o Riviera, que, assim como o Caixa Belas Artes, voltou a revigorar a vida noturna local.

Escrito por Time Out São Paulo editors
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