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Homem-Formiga: crítica do filme

Marvel acerta na mosca ao apostar em ação com humor

O charme kitch dos primórdios dos super-heróis pode não agradar as gerações mais novas, mas o que fazer com um personagem tão ligado à caquética Guerra Fria e que tem como superpoder encolher ao ponto de ficar do tamanho de um inseto? Recorrer à boa e velha forma dos gibis: diversão pura e simples. E foi exatamente isso que a Marvel consegue alcançar em Homem-Formiga.

As semelhanças com a história do Homem de Ferro não são mera coincidência. Ambos nasceram no auge da corrida armamentista entre Estados Unidos e União Soviética e, assim como na batalha de astronautas contra cosmonautas pelo domínio do espaço, elas retratam homens que, por meio da tecnologia, ultrapassam os limites do ser humano em busca de um ideal.

Mas deixando o papo político de lado, assim como na primeira aventura cinematográfica de Tony Stark, o filme dirigido por Peyton Reed – que possui um currículo cheio de comédias românticas – aposta na ação recheada de humor. E com o perdão do trocadilho, acerta na mosca.

Homem-Formiga é o melhor filme da Marvel exatamente por deixar os arroubos de megalomania da cinesérie Vingadores de lado. A trama é simples, com aqueles clichês saborosos de matinê misturados a ótimas sacadas, como as sequências onde Luis (Michael Peña) conta como conseguiu uma dica para um golpe. Aliás, outro ponto forte da aventura estrelada por Paul Rudd – perfeito para o papel – é se inspirar em filmes de roubos mirabolantes tão em voga nos anos 1960/70.

O roteiro enxuto, o casting preciso – que traz o medalhão Michael Douglas e o promissor novato Corey Stoll (da série House of Cards) – e cenas de ação criativas transformam Homem-Formiga em puro entretenimento. E não é isso que um filme com caras que combatem o crime fantasiados deveria ser? Ah, e depois de assistir ao filme, você vai pensar duas vezes em pisar em uma pobre formiga.

Escrito por Rafael Argemon
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