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O Homem Irracional: crítica do filme

Dramas sobre crimes não são novidade na carreira de Woody Allen. Crimes e Pecados (Crimes and Misdemeanors, 1989), Ponto Final: Match Point (Match Point, 2005) e O Sonho de Cassandra (Cassandra's Dream, 2007) são exemplos disso. A má notícia é que seu novo filme, O Homem Irracional (Irrational Man, 2015), está mais para o terceiro da lista, que é, talvez, o pior de sua extensa carreira.

Mesmo que em Ponto Final: Match Point o diretor já tivesse entrado na fase em que praticamente só retrata uma alta roda intelectualoide, no longa estrelado por Scarlett Johansson e Jonathan Rhys Meyers ele não se deixa capturar pela teia de clichês da maioria de seus filmes mais recentes. E este é, infelizmente, o caso em O Homem Irracional.

A lista começa com o uso excessivo de narrativa em off por parte da dupla de protagonistas. Um recurso que é válido se usado nos momentos certos ou no ambiente propício, mas que aqui soa como pura preguiça. Ainda mais em se tratando de um roteirista talentoso como Allen.

Seguindo no índice de erros, outra bola fora é o professor de filosofia atormentado de Joaquin Phoenix, que chega a ser patético. Um verdadeiro retrocesso no rumo ascendente que o ator tem um sua carreira desde O Mestre (The Master, 2012), de Paul Thomas Anderson, esse sim um cineasta no auge de sua forma.

Soma-se isso a diálogos pseudo-filosóficos cheios de referências manjadas, uma atriz fraca como Emma Stone, que de expressivo tem apenas seus imensos olhos, e o universo pedante e estereotipado de uma Universidade cheia de riquinhos que parecem ter saído de um filme francês ruim.

É difícil de entender como alguém que fez A Era do Rádio (Radio Days, 1987), Manhattan (1979) e Hannah e Suas Irmãs (Hannah and Her Sisters, 1986), só para citar poucos exemplos, seja aclamado por filmes medíocres – salvo raríssimas exceções – como O Homem Irracional.

Escrito por Rafael Argemon
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