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Ponte dos Espiões: crítica do filme

Tom didático e clima patriótico de filme é um retrato do envelhecimento do cinema de Steven Spielberg

Parte de uma turma de cineastas jovens e talentosos que abalaram as estruturas de Hollywood nos anos 1970, Steven Spielberg estabeleceu o padrão do cinema jovem que perdura até hoje, com grande reverência a mestres do passado, mas sem deixar de ser moderno. No entanto, assim como muitos de seus companheiros daquela geração – tão bem retratada no livro ‘Easy Riders, Raging Bulls - Como A Geração Sexo-Drogas-e-Rock'N'Roll Salvou Hollywood’, de Peter Biskind –, como Coppola, Bogdanovich, George Lucas, e, até certo ponto, Scorsese, o cinema de Spielberg perdeu seu elã.

O que antes era fresco, cheio de vontade e empolgação, hoje é conservador, didático e mergulhado em um patriotismo brega. Ponte dos Espiões (Bridge of Spies/EUA, 2015) é um produto perfeito dessa condição. Como um adolescente cheio de energia e louco para conhecer o mundo que vira um adulto frustrado e barrigudo que vê TV com um saquinho de batatas fritas em uma mão e uma cerveja na outra cantando o hino nacional americano antes do Superbowl.

Quarto filme da parceria entre o diretor e o ator Tom Hanks – que, fora O Resgate do Soldado Ryan (1998), não rendeu nenhum dos melhores títulos da filmografia de Spielberg – conta a história de James B. Donovan, um advogado de seguros que em 1957 é convocado pelo governo americano a defender um espião soviético. É claro que tudo é mera formalidade, já que a histeria atômica da Guerra Fria chegava a seu auge, e um agente comunista só poderia ter um destino: a cadeira elétrica.

Assim como em Lincoln (2012), Spielberg retrata um homem de princípios que se recusa a qualquer custo a renunciar suas convicções, sempre muito corretas, puras e constitucionais. E assim como seu antecessor, Ponte dos Espiões carrega no tom didático que mais parece uma aula sobre história norte-americana dada por um professor entediado.

Escrito por Rafael Argemon
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