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007 Contra Spectre: crítica do filme

Uma despedida melancólica para Daniel Craig 

Daniel Craig começou fazendo história como 007. Seu primeiro filme na pele do agente secreto mais famoso da sétima arte, Cassino Royale (2006), modernizou a série e deu uma nova vida a um James Bond perdido no tempo, desgastado com o público mais novo. Talvez por esse sucesso acachapante, a franquia relaxou. Deixou-se levar pela “bournerização“ dos filmes de ação e perdeu a identidade com o fraco Quantum of Solace (2008). O sinal amarelo disparou.

Para a próxima aventura foi contratado um diretor peso pesado: Sam Mendes (Beleza Americana, Estrada Para Perdição e o excelente Soldado Anônimo). E a aposta no cineasta inglês foi mais certeira que um tiro da famosa Walther PPK de 007. Operação Skyfall (2012) é considerado por muitos o melhor de uma lista de 24 filmes (considerando Nunca Mais Outra Vez, título alternativo de 1983 com um já cansado Sean Connery).

Escaldados com o fracasso Quantum of Solace, os produtores não inventaram. Mantiveram Mendes e até o roteirista John Logan – que tem em seu currículo o roteiro de nada mais, nada menos, que Gladiador (2000). No entenato, o que seria uma jogada segura para encerrar a ‘era Daniel Craig’ com chave de ouro, tornou-se uma despedida melancólica.

Como se não bastasse as perseguições enfadonhas – como a que envolve carros superesportivos em Roma que parecem estar na Marginal Pinheiros preocupados em não passar do limite de velocidade – e um vilão extremamente caricato e com uma motivação no mínimo boba, a 25ª aventura do agente 007 comete um erro ainda mais grave: não possui uma história.

No afã de ligar os quatro filmes estrelados por Craig, o roteiro não consegue focar em nada. 007 Contra Spectre é uma colcha de retalhos de situações forçadas, personagens perdidos e os já tradicionais clichês da série, que aqui soam como uma piada velha.

Não mexer em time que está ganhando parecia ser o caminho a se seguir, mas em 007 contra Spectre esse não foi o caso. Será que no próximo filme veremos um renovado e inovador James Bond? Para nós, a resposta tem um nome: Idris Elba.

Escrito por Rafael Argemon
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