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Os 8 Odiados: crítica do filme

Tarantino tenta mudar, mas erra o alvo 

Quentin Tarantino faz parte de um grupo quase intocável de diretores de cinema que são quase uma unanimidade. Não há nada que ele faça que lhe renda muitas críticas negativas, mesmo em obras de qualidade questionável, como Kill Bill, À Prova de Morte e Django Livre. Principalmente em comparação com filmes mais antigos e absurdamente melhores de seu currículo, como Cães de Aluguel, Pulp Fiction e Jackie Brown. E a dificuldade de se nadar contra a maré se mostra bem presente neste Os 8 Oidados. Pois o oitavo filme de Tarantino – como o próprio faz questão de salientar nos créditos iniciais – faz parte (mesmo que seja por muitos glorificado no primeiro momento) da lista de trabalhos menores do cineasta.

Excessivamente longo (com pouco mais de três horas de duração) e recheado de diálogos arrastados e redundantes, Os 8 Odiados tem como única qualidade fugir de alguns maneirismos tarantinescos que há tempos se esgotaram, mas isso, infelizmente, não ajudou no resultado final. Ao contrário do que se esperava, este não é um Django Livre 2, onde o diretor emula os spaguetti westerns de Sergio Leone, mesmo que a trilha sonora tenha sido composta por Enio Morricone (parceiro histórico de Leone). Os 8 Odiados é um teatro filmado que utiliza raras cenas externas e é quase todo passado dentro de uma cabana. Algo esdrúxulo para quem utilizou o formato de 70 mm para realizar seu “oitavo filme”.

Na trama, o caçador de recompensas John Ruth (Kurt Russell), que leva sob sua custódia a criminosa Daisy Domergue (a sumida Jennifer Jason Leigh) em sua diligência, encontra um companheiro de profissão, o Major Marquis Warren (Samuel L. Jackson), pedindo carona até a cidade de Red Rock. No caminho, eles encontram com outro viajante em dificuldades, Chris Mannix (Walton Goggins), que mesmo fazendo parte de uma família de má fama, jura de pés juntos ser o novo xerife de Red Rock. Surpreendido por uma nevasca, o grupo acaba fazendo uma parada em uma hospedaria onde encontram Bob (Demian Bichir), Oswaldo Mobray (Tim Roth), Joe Gage (Michael Madsen, que não convence ninguém como um cowboy) e o general Sandy Smithers (Bruce Dern). A partir daí uma série de desconfianças e desavenças acabam por transformar a situação em uma verdadeira carnificina.

Tudo o que era fresco e inventivo nos primeiros trabalhos de Tarantino se transforma em algo conservador – por mais absurdo que isso possa soar – em Os 8 Odiados. Ou banhos de sangue são novidade na filmografia do cineasta? Aqui, o que se recebe é um discurso empolado e velho travestido de transgressão. É só mais uma peça chata da qual está na moda falar bem.

Escrito por Rafael Argemon
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