Spotlight - Segredos Revelados: crítica do filme

Filme do irregular Tom McCarthy entretem mostrando que o jornalismo (ainda?) não morreu

Divulgação
Rachel McAdams, Mark Ruffalo e Brian d'Arcy James em cena de 'Spotlight - Segredos Revelados'

Spotlight - Segredos Revelados é um caso interessante. O filme trata de algo que parece fadado ao esquecimento, o jornalismo investigativo, mas, ao fazê-lo, indica um caminho – mesmo que com as devidas adaptações ao mundo moderno – para o futuro dessa atividade tão em baixa ultimamente. Mesmo mergulhado em um mundo de pautas baseadas no Twitter, informações falsas veiculadas indiscriminadamente no Facebook, coberturas feitas via Snapchat e infinitos canais opinativos de youtubers sem qualquer embasamento, o papel do jornalista ainda é fundamental. Outro fato sui generis é seu diretor, Tom McCarthy, ter conseguido realizar um dos melhores filmes de 2015 após o medonho Trocando os Pés (2014).

Ambientado em 2001, quando os jornais impressos começam a sentir as consequências do crescimento da internet (mal sabiam eles que as mídias sociais estavam a caminho para quase aniquilá-los!), o filme retrata um grupo de jornalistas investigativos do Boston Globe, que é designado pelo novo diretor do jornal, Marty Baron (Liev Schreiber), a investigar mais a fundo um caso de pedofilia envolvendo um padre de Boston. É aí que entra em cena o time da Spotlight, uma equipe pequena que trabalha apenas com grandes reportagens: Robby Robinson (Michael Keaton), Mike Rezendes (Mark Ruffalo), Sacha Pfeiffer (Rachel McAdams) e Matt Carroll (Brian d'Arcy James).

A comparação com Todos os Homens do Presidente (1976), clássico dos filmes de conspiração dos anos 1970, é óbvia, mas aqui o suspense é deixado de lado. O que interessa mesmo é a apuração jornalística – para muita gente algo ultrapassado – na investigação de um caso que abalaria as estruturas da igreja católica, e que reverbera até hoje nos corredores do Vaticano. Mostrando que uma trama de investigativa não precisa de clima de mistério para se sustentar e, por que não, entreter. Além, é claro, do excelente trabalho de um elenco afiado, onde Ruffalo se destaca com louvor.

Escrito por Rafael Argemon
 

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