Creed - Nascido para Lutar: crítica do filme

Sétimo filme da franquia Rocky consegue o que poucas sequências alcançam: ter identidade própria

Divulgação
Michael B. Jordan e Sylvester Stallone em cena de 'Creed: Nascido para Lutar'

Em uma cena da comédia Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu! - 2ª Parte (1982), enquanto um homem compra um jornal na banca do aeroporto, vê-se ao fundo o cartaz de Rocky 38. Uma brincadeira, claro, mas que, convenhamos, não foge tanto assim da realidade, pois Creed: Nascido para Lutar é o sétimo da franquia. Mas a piada termina por aí, já que, além do fato do protagonista não ser o velho Rocky Balboa (Sylvester Stallone, mais convincente do que nunca na pele de seu alter ego), o filme é tão bom – e em certas cenas até melhor – do que aquele que começou a saga do boxeador mais famoso do cinema, em 1976.

Antenado com os novos tempos, mas sem deixar o espírito de filme operário da década de 1970 que transformou Rocky em um ídolo da garotada, Creed: Nascido para Lutar consegue o que poucas sequências alcançam: ter uma identidade própria mesmo utilizando alguns jargões um tanto batidos que a própria franquia inventou.

Internado em um reformatório para garotos com problemas de comportamento, Adonis Johnson recebe a visita de uma mulher. Ela é Mary Anne Creed (Phylicia Rashad), viúva de Apollo Creed, considerado um dos maiores lutadores de boxe de todos os tempos que morreu lutando contra o soviético Drago em Rocky IV (1985). Ela diz que ele é filho ilegítimo de Apollo e leva o menino para viver com ela. Mesmo crescendo rodeado do bom e do melhor, Adonis (Michael B. Jordan) sente uma vontade incontrolável de subir ao ringue. Tanto que larga um emprego promissor e vai até a Philadelphia atrás de Rocky Balboa, outra lenda do boxe que foi um grande amigo de seu pai, para tentar convencê-lo a treina-lo.

Mesmo que a luta final relembre as pelejas exageradamente coreografadas e irreais dos primeiros filmes da série e situações piegas pipoquem aqui e acolá, Creed: Nascido para Lutar consegue se destacar em uma subcategoria de uma concorrência feroz, já que o boxe é esporte mais bem retratado na sétima arte. Méritos do jovem diretor Ryan Coogler (do também ótimo Fruitvale Station: A Última Parada, 2013), que nos brinda com a melhor luta já filmada até hoje: a primeira de Adonis sob a tutela de Rocky. São dois rounds filmados em um só take de pura adrenalina.

Escrito por Rafael Argemon
 

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