Time Out São Paulo

Creed - Nascido para Lutar: crítica do filme

Sétimo filme da franquia Rocky consegue o que poucas sequências alcançam: ter identidade própria

Em uma cena da comédia Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu! - 2ª Parte (1982), enquanto um homem compra um jornal na banca do aeroporto, vê-se ao fundo o cartaz de Rocky 38. Uma brincadeira, claro, mas que, convenhamos, não foge tanto assim da realidade, pois Creed: Nascido para Lutar é o sétimo da franquia. Mas a piada termina por aí, já que, além do fato do protagonista não ser o velho Rocky Balboa (Sylvester Stallone, mais convincente do que nunca na pele de seu alter ego), o filme é tão bom – e em certas cenas até melhor – do que aquele que começou a saga do boxeador mais famoso do cinema, em 1976.

Antenado com os novos tempos, mas sem deixar o espírito de filme operário da década de 1970 que transformou Rocky em um ídolo da garotada, Creed: Nascido para Lutar consegue o que poucas sequências alcançam: ter uma identidade própria mesmo utilizando alguns jargões um tanto batidos que a própria franquia inventou.

Internado em um reformatório para garotos com problemas de comportamento, Adonis Johnson recebe a visita de uma mulher. Ela é Mary Anne Creed (Phylicia Rashad), viúva de Apollo Creed, considerado um dos maiores lutadores de boxe de todos os tempos que morreu lutando contra o soviético Drago em Rocky IV (1985). Ela diz que ele é filho ilegítimo de Apollo e leva o menino para viver com ela. Mesmo crescendo rodeado do bom e do melhor, Adonis (Michael B. Jordan) sente uma vontade incontrolável de subir ao ringue. Tanto que larga um emprego promissor e vai até a Philadelphia atrás de Rocky Balboa, outra lenda do boxe que foi um grande amigo de seu pai, para tentar convencê-lo a treina-lo.

Mesmo que a luta final relembre as pelejas exageradamente coreografadas e irreais dos primeiros filmes da série e situações piegas pipoquem aqui e acolá, Creed: Nascido para Lutar consegue se destacar em uma subcategoria de uma concorrência feroz, já que o boxe é esporte mais bem retratado na sétima arte. Méritos do jovem diretor Ryan Coogler (do também ótimo Fruitvale Station: A Última Parada, 2013), que nos brinda com a melhor luta já filmada até hoje: a primeira de Adonis sob a tutela de Rocky. São dois rounds filmados em um só take de pura adrenalina.

Escrito por Rafael Argemon
Compartilhe

Comentários dos leitores

blog comments powered by Disqus

Outras notícias recomendadas

Os filmes da semana – 01/12/2016

Ceia de Natal da Casa Santa Luzia

Rodízio de brigadeiro