Carol: crítica do filme

Tecnicamente excelente, filme peca pela falta de alma

Divulgação
Rooney Mara e Cate Blanchett em cena de 'Carol'

O diretor francês Jacques Rivette disse certa vez sobre o americano Stanley Kubrick: “Kubrick é uma máquina, um mutante, um marciano. Ele não tem qualquer sentimento humano. Mas é ótimo quando a máquina filma outras máquinas, como em ‘2001: Uma Odisseia no Espaço’.” É uma opinião válida mesmo que Kubrick seja, para muitos, o melhor cineasta da história. Perfeccionistas estão sempre sujeitos a maior maldição de seu próprio perfeccionismo: a falta de sentimentos. Kubrick às vezes sofria com esse distanciamento. E essa condição pode ser aplicada também ao cinema de Todd Haynes.

Assim como em filmes anteriores, como Velvet Goldmine (1998), Não Estou lá (2007) ou Longe do Paraíso (2002), Carol é filmado com extrema destreza, possui uma direção de arte impecável e mergulha na ambientação com uma obsessão de alguém que sofre de TOC. Porém, falta-lhe um pequeno detalhe: coração. Fogo, paixão, faísca... Chame do que quiser. Na obra de Haynes, a frieza dos detalhes acaba sempre sobrepujando o sentimento.

Baseado no romance homônimo da americana Patricia Highsmith, que é bem mais conhecida por seus thrillers psicológicos protagonizados pelo canalha Thomas Ripley, o filme conta a história de Carol Aird (Cate Blanchett, que parece ter sido feita para esse tipo de papel), uma mulher muito rica de meia idade que vive presa em um casamento aos pedaços devido a dificuldade de se assumir lésbica na conservadora década de 1950. No entanto, quando vai a uma loja em Nova York comprar um presente de natal para sua filha pequena, ela se encanta com a atendente, Therese Belivet (Rooney Mara), uma jovem meio perdida na vida e que logo sente uma atração inexplicável por Carol.

Carol é tecnicamente excelente, mas a forma cirúrgica com que é contada essa história de amor acaba por contradizer o que a própria paixão é por definição, algo intempestivo, imprevisível. Características que passam bem longe do estilo de Haynes.

Escrito por Rafael Argemon
 

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