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O Filho de Saul: crítica do filme

Filme húngaro é tão contundente em sua frieza que desarma qualquer barreira emocional

Quando uma história passada em um campo de concentração é anunciada, a grande maioria das pessoas logo se pergunta: “Mais um filme sobre o holocausto?”. Mas esqueça o lirismo brega de A Lista de Schindler (1993), A Vida é Bela (1997) ou O Menino do Pijama Listrado (2008), o longa de estreia do húngaro László Nemes é um viagem ao inferno sem escalas que faz você sair da sessão combalido e sem fôlego. Como se tivesse levado uma surra.

São 97 minutos com a câmera grudada no ombro - bem ao estilo dos irmãos Dardenne em Rosetta (1999) e O Filho (2002) - de Saul Ausländer (Géza Röhrig), um integrante do Sonderkommando, grupo de prisioneiros judeus forçados a ajudar os nazistas em campos de concentração, que acha ter reconhecido seu filho no meio do último "carregamento" de corpos. A partir daí ele passa por uma vertiginosa via crucis para salvar o corpo da incineração e enterrar o garoto seguindo as tradições judaicas.

O filme não faz concessões. Não há trilha sonora, você não conhece o histórico de nenhum personagem – tanto que até o nome do protagonista é nebuloso – e não há discursos sobre a maldade, superação ou qualquer defeito ou virtude do ser humano. Além disso, em momento algum apela para a violência gráfica, utilizando o som com um resultado tão eficiente quanto assustador. Assim como no clássico soviético Vá e Veja (1985) e a célebre cena do celeiro incendiado por soldados alemães onde inocentes moradores de uma vila estão presos e agonizam, desesperados. Em O Filho de Saul, o horror é tão contundente em sua frieza, que desarma qualquer barreira emocional do espectador.

Escrito por Rafael Argemon
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