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Ave, César!: crítica do filme

Novo filme dos irmãos Coen vive de alguns bons lampejos 

Alguns cineastas alcançam tamanho prestigio que gozam da rara oportunidade de fazer o que bem entendem. Pena que o resultado nem sempre gera um filme inesquecível. Principalmente quando este pode ser comparado a outra obra do mesmo autor. E esse é o caso de Ave, César!, novo filme dos irmãos Joel e Ethan Coen.

A comédia amalucada é uma homenagem aos anos de ouro da produção dos estúdios de Hollywood, nos anos 1950. Época em que também se passa Barton Fink - Delírios de Hollywood (1991), quarto longa dos Coen. Em Ave, César! sobram os personagens esquisitos tão caros à filmografia da dupla, mas troca o humor ácido de seu antecessor pela screwball comedy de algumas poucas gags mais inspiradas.

Propositalmente confusa, a trama traz momentos dignos de nota, como o sui generis grupo focal de sacerdotes discutindo a legitimidade de uma superprodução bíblica; o engraçado diálogo entre o diretor Laurence Laurentz (Ralph Fiennes) tentando fazer um astro de faroestes, Hobie Doyle (Alden Ehrenreich), decorar sua fala em um sofisticado drama de alta sociedade; e o número musical liderado por Burt Gurney (Channing Tatum), um agente comunista infiltrado. Além, é claro, da intrincada e brega coreografia aquática estrelada por DeeAnna Moran (Scarlett Johansson). Mas tudo não passa de inspirados lampejos em meio a um caos entediante.

É fato que os mais cinéfilos vão se divertir mergulhando nesse mar de referências que brota do universo particular dos Coen, mas Ave, César! não alcança o nível dos melhores filmes dos irmãos, como seu “primo” Barton Fink, por exemplo.

Escrito por Rafael Argemon
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