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Capitão América - Guerra Civil: crítica do filme

Filme perde força ao se transformar em uma aventura genérica dos Vingadores 

A Marvel chegou onde queria. A tão sonhada fusão de seus filmes em um só universo chega a seu ápice em Capitão América: Guerra Civil. O problema é que isso fez do terceiro filme individual do herói um episódio da série dos Vingadores. O que chega a ser até uma ironia, pois Steve Rogers entra em colisão com Tony Stark (o homem de Ferro) exatamente por sua noção inabalável de individualismo.

Esqueça o clima das tramas paranoicas da década de 1970 que deu tão certo em Capitão América 2: O Soldado Invernal (2014). Aqui, o personagem do Capitão volta a ser um mero peão dentro de uma fórmula cientificamente utilizada nas aventuras dos Vingadores: muitos personagens do universo Marvel, muitas lutas espetaculares (excessivamente aceleradas) e quase nenhuma profundidade.

A história se resume à formação de dois grupos. De um lado os seguidores do Homem de Ferro, que concordam que o grupo deve ser supervisionado pelo governo. Do outro, os colegas de Steve Rogers, que acreditam na independência dos Vingadores como condição fundamental na proteção do mundo. Essa é a premissa para muitas sequências de ação envolvendo os heróis mais conhecidos da franquia e “coadjuvantes” muito aguardados pelos fãs da Marvel, como o Pantera Negra e (finalmente!) o que deve ser a versão definitiva do Homem Aranha. Aliás, o cabeça de teia rouba a cena nos poucos minutos em que aparece.

Aliás, esse viés político do filme é tão unidimensional, que os dois grupos retratam uma mesma política tão cara aos Estados Unidos, a de "polícia" do planeta Terra. De seres superiores que têm o dever de levar a “liberdade” a quem precisa.

No final das contas, o filme se torna muito mais agradável quando visto por um olhar mais focado no drama pessoal do Capitão América, um homem completamente apaixonado por Bucky, por quem arrisca sua vida e reputação independente de qualquer ação criminosa de seu companheiro. Mesmo até quando ele comete uma barbaridade contra a família de Tony Stark, uma imagem cristalina da repressão. Do homem que só demonstra sua força quando preso dentro de uma armadura. Algo que nesse mundo machista e misógino dos fãs de quadrinhos de super-heróis não deixa de ser bem divertido.

Escrito por Rafael Argemon
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