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Alice Através do Espelho: crítica do filme

Sequência desnecessária é um dos piores filmes de 2016 

Se Alice no País das Maravilhas (2010) já não tinha lá muita ligação com o livro escrito por Lewis Carroll em 1865, esta sequência não possui quase nada em comum com a segunda aventura protagonizada pela menina de longos cabelos loiros, publicada de 1871. A não ser minúsculos elementos decorativos jogados na trama como “referências” ao texto original, como as peças de xadrez e Jabberwocky, o dragão.

No filme, uma Alice (envelhecida demais!) agora capitã do navio de seu finado pai é surpreendida pela notícia que sua mãe penhorou a casa da família e deu seu amado navio como garantia. Antes que tenha de tomar a decisão de honrar ou não a dívida, ela é transportada de volta a Wonderland, onde encontra o Chapeleiro Maluco abalado por ter descoberto que sua família, que acreditava estar morta há anos, está viva. Para ajudar seu amigo, ela vai atrás da cromosfera, um aparelho que a faz voltar no tempo, e assim descobrir o destino dos familiares do Chapeleiro.

Alice Através do Espelho é, com toda a certeza, o pior roteiro de 2016 até aqui. Cheio de lugares comuns, personagens inúteis e diálogos de uma pobreza assombrosa, o filme não consegue ser salvo nem por atores do nível de Johnny Depp (insuportável como o Chapeleiro Maluco), Helena Bonham Carter e Sacha Baron Cohen.

Seis anos depois do filme de Tim Burton, a sequência, dessa vez dirigida por James Bobin – mais conhecido por seu trabalho em séries cômicas como Da Ali G Show e Flight of the Conchords – parece ainda mais desnecessária. Não passa de um caça-níqueis atrasado que usa apenas a chancela de Carroll e Burton e a desgastada aura de Depp para faturar alguns milhões sem muito esforço. 

Escrito por Rafael Argemon
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