Jogo do Dinheiro: crítica do filme

Trama se salva em momentos inesperadamente cômicos 

Divulgação
George Clooney em cena de 'Jogo do Dinheiro', de Jodie Foster

As constantes crises econômicas que assolam os quatro cantos do mundo transformaram questões financeiras em assunto corriqueiro entre pessoas que jamais se interessariam por isso. Tanto que Hollywood já sacou a tendência e vêm produzindo filmes com esse viés. Ironicamente, dois dos mais bem sucedidos são comédias: O Lobo e Wall Street (2013) e A Grande Aposta (2015). O que não é exatamente o caso deste Jogo do Dinheiro, mas são exatamente seus trechos cômicos que salvam o filme.

Dirigida por uma Jodie Foster que demonstra um ótimo domínio das câmeras depois de apenas três outros filmes no currículo, a trama se passa durante uma sexta-feira em que Lee Gates (George Clooney) apresenta mais uma edição de seu programa econômico popularesco: Money Monster. Durante a transmissão, um jovem desesperado, Kyle Budwell (o inglês Jack O'Connell, dos excelentes Sem Saída, Encarcerado e 71: Esquecido em Belfast), entra no estúdio ameaçando Gates com uma arma e o obriga a vestir um colete com uma bomba acoplada.

Contando com a ajuda da diretora do programa, Patty Fenn (a sempre carismática Julia Roberts), Gates precisa descobrir porque as ações de uma empresa de capital chamada IBIS caíram tão vertiginosamente, causando a ruína de Kyle. E a chave para tal é conseguir falar com o CEO da tal empresa, o gênio do mercado financeiro Walt Camby (Dominic West, da inesquecível série The Wire).

Tudo parece muito tenso e dramático quando se conhece a história, mas o esperto roteiro de Jamie Linden, Alan DiFiore e Jim Kouf nos presenteia com ótimas tiradas cômicas, aliviando o tom exageradamente melodramático dos momentos mais “sérios” do filme. Há duas cenas que são ótimos exemplos disso. Uma é quando a namorada do sequestrador é localizada e colocada em contato com ele para ajude a polícia a acalmar seus ânimos. A outra foca Gates conclamando seus telespectadores a salvá-lo investindo nas ações da IBIS. Em ambas, o resultado é inesperadamente hilário.

Jogo do Dinheiro não possui a força caótica de O Lobo de Wall Street ou a engenhosidade de A Grande Aposta, pois peca em seus momentos “dramáticos”, mas não deixa de ganhar alguns bons pontos quando nos faz rir da desgraça. Algo bem familiar aos brasileiros e que pode ajudar a conquistar a plateia por aqui.

Escrito por Rafael Argemon
 

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