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As Tartarugas Ninja – Fora das Sombras: crítica do filme

Filme é apenas mais um veículo para vender tranqueiras

Você já deve ter lido isso um milhão de vezes, mas é sempre bom contextualizar uma crítica: Aos executivos de Hollywood, o que menos importa é o cinema. Para eles, se uma porcaria faz dinheiro, faz-se uma sequência da porcaria. Se o resultado é cinema, refrigerante, brinquedos, camisetas, tijolos, não importa. O reboot das Tartarugas Ninja é um exemplo claro disso.

Tanto que não há nem o cuidado de se focar em seu público alvo. Ao que tudo indica, As Tartarugas Ninja – Fora das Sombras foi feito para agradar meninos de 10 a 12 anos. E só. Mas aí há uma cena de Megan Fox (a jornalista April O'Neil) sensualizando, outra de Stephen Amell (o justiceiro Casey Jones) em que 'Ice Ice Baby', de Vanilla Ice (lembra dele?!) tocando ao fundo, em referência a As Tartarugas Ninja 2: O Segredo do Ooze (1991)... Isso só pode ter uma explicação: A infantilização do público.

As Tartarugas Ninja – Fora das Sombras tem muito mais o clima do desenho animado de 1987, ignorando totalmente a origem dos personagens nos quadrinhos underground criados por Kevin Eastman e Peter Laird em 1984, onde questões raciais (as tartarugas são claramente uma alusão à cultura hip-hop do gueto nova-iorquino) eram discutidas envoltas em uma violência crua e visceral. Ou seja, nos cinemas, do quarteto de irmãos tartaruga não se espera nada mais que uma história rasa e genérica recheada de cenas de ação tão espetaculares quanto inofensivas. Ah, e muitos (muitos!) personagens infantilóides. 

O filme dirigido de forma burocrática pelo inexperiente Dave Green é apenas um veículo para vender Pizza Hut, bonequinhos do McLanche Feliz e outras tranquiras que vão encher muitos bolsos e esvaziar muitos cérebros.

Escrito por Rafael Argemon
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