Dois Caras Legais: crítica do filme

Entretenimento puro que não agride seu cérebro 

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Roteirista prodígio que marcou as décadas de 1980 e 90 com suas comédias de ação (os quatro títulos da série Máquina Mortífera, O Último Boy Scout e O Último Grande Herói), com Dois Caras Legais, Shane Black volta a seu metiê 11 anos depois do excelente Beijos e Tiros. Diretor bissexto, ele também foi responsável por Homem de Ferro 3, uma exceção em seu estilo pessoal, mas que mesmo assim acabou salvando o personagem eternizado por seu amigo Robert Downey Jr. do fiasco do segundo filme da trilogia do herói da Marvel.

No entanto, o retorno ao ambiente mais familiar dos policiais com tiradas espirituosas e diálogos espertos não garantiu a Dois Caras Legais o mesmo nível de Beijos e Tiros. Um dos motivos é a dupla de protagonistas. Enquanto o filme de 2005 contava com os afiados e versáteis Downey Jr. e Val Kilmer, Dois Caras Legais é protagonizado por Russell Crowe e Ryan Gosling. O primeiro, sempre muito competente, dá conta do recado com facilidade, enquanto a falta de tino cômico de Gosling quase põe tudo a perder. Seus gritinhos estridentes e reações exageradas são realmente irritantes.

Fora isso, Dois Caras legais segue a cartilha de Black com apenas uma novidade: a ambientação nos anos 1970. O que garante – além de um figurino extra cool – uma trilha sonora que traz, entre outros, Kool & The Gang, Earth, Wind & Fire, Al Green, Bee Gees, Kiss, The Band e The Temptations. Precisa de mais alguma coisa?

Resumindo, mesmo sem o mesmo brilho de Beijos e Tiros, Dois Caras Legais mantém o padrão Shane Black de qualidade, ou seja, um filme divertido e cheio de ótimas sacadas. É entretenimento puro, mas que não agride seu cérebro.

Escrito por Rafael Argemon
 

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