Time Out São Paulo

Aquarius: crítica do filme

Filme é um ótimo retrato da hipócrita relação entre classes

Muito se falou em Aquarius, segundo longa do pernambucano Kleber Mendonça Filho, o mesmo do ótimo O Som ao Redor (2013), quando a comitiva que representava a obra no Festival de Cannes fez um protesto alertando o mundo sobre o golpe de estado que acontecia no País. A partir daí, muita gente defendeu e outros muitos picharam o filme sem sequer vê-lo. Caso clássico do embate extremamente polarizado da política brasileira. No entanto, esse clima de dualidade não poderia combinar mais com Aquarius.

É claro que o que se discute mais diretamente na obra não é o feroz ambiente político atual, mas sim o conflito entre o antigo e o novo representado na figura de Clara (Sonia Braga em uma atuação excelente), uma viúva nos seus 60 anos, sobrevivente de um câncer de mama, que vive sozinha em um prédio em frente à praia de Boa Viagem. Ela leva uma vida tranquila indo à praia e descansando em uma rede enquanto ouve seus discos de vinil, até que passa a ser cada vez mais pressionada por uma construtora que comprou todos os outros apartamentos do edifício Aquarius com o fim de “renová-lo”. Porém, a especulação imobiliária que destrói a memória é apenas o pano de fundo no contexto das crônicas sobre a hipocrisia das relações entre classes que são tão caras ao trabalho de Kleber.

O único ponto negativo do filme é a duração excessivamente longa. Algumas situações, como a festa de família nos anos 1980, a reunião de amigas de meia idade em um baile e a trama em que o sobrinho de Clara encontra uma namorada virtual do Rio de Janeiro poderiam ser bem mais sucintas. Mas nada que prejudique o ótimo trabalho do diretor na ambientação das questões que levanta.

Escrito por Rafael Argemon
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