Time Out São Paulo

Demônio de Neon: crítica do filme

O filme que muita gente vai adorar odiar em 2016 

A saraivada de vaias que recebeu na última edição do Festival de Cannes já indicava que Demônio de Neon é o filme que a maioria das pessoas vai adorar odiar em 2016. Mas assim é o cinema do diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn, pelo menos desde Valhalla Rising (2009). Sem meio termo. Refn mira no cinema mudo, mesmo que fazendo um uso engenhoso das trilhas sonoras. A imagem sobrepõe às palavras. O resultado? Ou você gosta, ou você odeia. Sua fórmula triunfou com o público em Drive (2011), mas seu estilo arriscado, esteta ao extremo, geralmente lhe rende a fúria da plateia.

Essa reação instintiva a seu cinema, aliás, combina muito bem ao tema de seu novo filme. Demônio de Neon fala de selvageria, da ferocidade do mundo dos corpos perfeitos, do (literalmente!) canibalístico mundinho da moda com o visual de cores exageradas e formas geométricas que muito se assemelham ao opus giallo de Dario Argento: Suspiria (1977).

A jovem e (aparentemente) ingênua Jesse (Elle Fanning) chega a Los Angeles para perseguir a carreira de modelo. Após fazer um ensaio mórbido com um fotógrafo iniciante, onde conhece a maquiadora Ruby (Jena Malone), ela é contratada por uma conceituada agência. A partir daí, sua carreira passa a ter uma ascensão meteórica, causando inveja nas modelos mais experientes Gigi (Bella Heathcote) e Sarah (Abbey Lee), amigas de Ruby, que é apaixonada por Jesse.

Tirando o irrelevante papel do gerente de motel bandidinho Hank, interpretado com extrema preguiça por Keanu Reeves, Demônio de Neon alcança o que busca: um filme B escrachado de visual estonteante e recheado de fetiches. É como se John Waters e Brian De Palma tivessem um filho. Nicolas Winding Refn critica a busca desenfreada pela beleza com um apreço estético tão obsessivo que chega a ser engraçado.

Escrito por Rafael Argemon
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