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O Lar das Crianças Peculiares: crítica do filme

Fantasia insossa evidencia a decadência de Tim Burton

O Tim Burton de homenagens ternas e melancólicas a seus heróis de infância de Edward Mãos de Tesoura (1990) e Ed Wood (1994), ou das animações que emulavam as obras de Larry Roemer, como O Estranho Mundo de Jack (1993) – em que foi produtor e roteirista – e A Noiva Cadáver (2005); ou mesmo das galhofas anárquicas de Os Fantasmas se Divertem (1988) e Marte Ataca! (1996), até que se prove o contrário, não existe mais. O que sobrou foi o diretor de remakes tão ruins quando irrelevantes e fantasias insossas. E esse último gênero é onde se encaixa O Lar das Crianças Peculiares.

Após a morte de seu idolatrado avô Abe (Terence Stamp), Jake (Asa Butterfield) viaja para uma ilha isolada no País de Gales para confirmar se as histórias fantásticas sobre um orfanato para crianças com poderes especiais que seu avô contava eram reais. Chegando lá, ele encontra o tal local em ruínas, descobrindo que a mansão foi destruída por um bombardeio nazista em 1943. Porém, a professora, Miss Peregrine (Eva Green), e seus pupilos, ainda estão vivos por conta de um loop temporal, onde vivem eternamente o dia do bombardeio. Mas a sobrevivência do grupo é ameaçada por um terrível grupo de vilões que buscam a imortalidade, os hollows.

Baseado em um mais um clone literário caça níquel de Harry Potter, a aventura é tão sem alma que não emociona nem um fã de novela mexicana. Aqui, como em todos os filmes desse subgênero tão em voga entre os adolescentes de hoje, tudo é classificado em castas. Há os bons e os maus. Os seres X que só fazem tal coisa, os Y, que têm como única missão na vida fazer outra tal coisa... Tudo compartimentado, simplório e maniqueísta. O confronto final entre as tais crianças peculiares e os monstruosos hollows é tão chato e previsível que poderia ser comercializada como um sonífero poderoso.

Escrito por Rafael Argemon
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