Time Out São Paulo

Elle: crítica do filme

Thiller coloca o dedo na ferida da sociedade machista

Uma coisa pode-se dizer com total convicção sobre o diretor Paul Verhoeven, ele nunca fugiu de uma boa polêmica. Como bom holandês que é, em seus filmes ele trata de forma direta e sem pudores assuntos como religião, sexo e violência. Chegou até a fazer bastante sucesso nos Estados Unidos zombando da hipocrisia da sociedade americana em títulos como Robocop – O Policial do Futuro (1992), Instinto Selvagem (1992) e Tropas Estelares (1997).

De volta a sua Holanda com o ótimo A Espiã (2006), Verhoeven brilha mais uma vez, agora filmando na França, com Elle (2016). No entanto, boa parte do êxito de seu novo filme tem um nome: Isabelle Huppert. A atriz francesa dá um show na pele da pragmática Michèle Leblanc. Elle é centrado em Michèle, uma cinquentona dona de uma produtora de games que tem aquele jeito francês de ser, sempre aberta a discutir os assuntos mais espinhosos sem o menor constrangimento.

Após se estuprada por um homem mascarado que invadiu sua casa, Michèle Leblanc segue sua vida de executiva de sucesso normalmente. Enquanto sua produtora se prepara para lançar um game extremamente violento, ela passa a ser perseguida por seu agressor. Sem demonstrar descontrole nunca, ela lida com tudo isso e ainda com outros problemas, como as agruras de seu filho bobão que engravidou uma artista manipuladora, com o fato de seu ex-marido começar a namorar uma bela professora de yoga, e também em encerrar seu caso com o marido de sua sócia e melhor amiga.

Verhoeven consegue colocar o dedo na ferida de diversos tabus da sociedade machista sem deixar a peteca do thriller cair. Michèle é uma mulher de meia idade sexualmente ativa, executiva em uma área extremamente misógina como a dos games e que encara a agressão sexual que sofreu de forma prática e sem sentimentalismos. Como sempre, o cineasta conseguirá incomodar muita gente, mas – como de costume – sem chocar pelo simples marketing da polêmica. Verhoeven é, certamente, um mestre. 

Escrito por Rafael Argemon
Compartilhe

Comentários dos leitores

blog comments powered by Disqus

Outras notícias recomendadas

Os filmes da semana – 01/12/2016

Ceia de Natal da Casa Santa Luzia

Rodízio de brigadeiro