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A Chegada: crítica do filme

Uma boa ficção científica não precisa ser distópica 

Pelo menos no cinema, o caminho da distopia é quase uma constante no gênero ficção científica. Em 99,9% das vezes, alienígenas são ameaças. A humanidade nunca lidou muito bem com o desconhecido. E isso se reflete claramente no momento separatista em que vivemos atualmente. Só por nadar contra essa maré de desconfiança e ódio ao que não compreendemos, A Chegada, 8º longa do diretor canadense Denis Villeneuve, já possui méritos suficientes para se destacar.

Baseado em um conto do escritor americano Ted Chiang, a trama não possui um herói que salva a raça humana de seres “superiores”. Aliás, a história protagonizada por uma linguista que tenta compreender a intenção de alienígenas que acabaram de chegar a Terra foge dessa contradição. Se eles são mais evoluídos que nós, meros macacos que mal começaram a andar, por que eles pensariam em nos subjugar? Essa é a noção distorcida que o ser HUMANO propaga por séculos, não é? O tema do filme não é a conquista.

Mas como se alcança a união em um planeta cheio de fronteiras físicas e até temporais? É isso que os Heptapóides (os alienígenas de aparência esquisita da história) estão aqui para nos mostrar. Não por puro altruísmo, diga-se, pois eles deixam claro que aprendendo com a ferramenta – ou arma em uma interpretação mais “humana” – que eles dão à humanidade, esta lhe retribuirá o favor.

Com o perdão do trocadilho, A Chegada chega no momento certo. Sua história fala sobre novas formas de enxergar algo considerado imutável, quebrando crenças defendias com unhas e dentes por nossa ignorância, nos mostrando que evoluir não é separar e sim unir.

Escrito por Rafael Argemon
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