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Sully: crítica do filme

Novo filme de Clint Eastwood falha ao deixar a emoção de lado.

Uma coisa fica bem clara ao final de Sully, novo filme de Clint Eastwood: o diretor tira leite de pedra. Não que isso seja lá um grande elogio, pois o resultado final sofre de falta crônica de emoção. É louvável que o cineasta tenha conseguido contar um caso como esse sem cair no piegas, mas seu tom documental, no final das contas, não funciona.

Porém, o elo mais fraco da corrente é mesmo Tom Hanks, o eterno “herói americano”. Seria muito interessante para sua carreira fazer o que outro ator estigmatizado por esse rótulo, Henry Fonda, fez em 1968, quando aceitou – bem verdade que a duras penas – o papel de Frank em Era uma vez no Oeste. Papel de um dos vilões mais escrotos da história do cinema, escrito pelo diretor Sergio Leone pensando em Fonda exatamente para brincar com a fama de bom moço do ator.

Sully não é um filme ruim. É apenas ok. Clint consegue como poucos contar histórias sobre pessoas comuns que se tornam heróis. No entanto, sua opção por evitar o sentimentalismo deixou o tom seco demais, e quando se tenta dar vasão ao aspecto emocional da situação, a trama tropeça na escolha de um “drama de tribunal” forçado e na atuação padrão de Hanks, que, convenhamos, já cansou.

Escrito por Rafael Argemon
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