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Rogue One - Uma História Star Wars: crítica do filme

Filme não passa de um caríssimo fanfic.

Em Hollywood, há uma década em especial em que seus grandes estúdios deram carta branca a novos cineastas para salvar uma arrecadação em queda vertiginosa. Foi nos anos 1970 que obras de diretores como Francis Ford Coppola, William Friedkin e Steven Spielberg, como O Poderoso Chefão, O Exorcista e Tubarão tornaram-se não apenas sucesso de público e crítica, mas ícones da cultura de massa.

O patinho feio desse grupo era George Lucas. No currículo, apenas uma ficção científica cabeça (THX 1138) e uma crônica adolescente (Loucuras de Verão). Porém, seu terceiro filme, Guerra nas Estrelas, inaugurou um fenômeno cultural/mercantilista sem precedentes na história do cinema. O universo Star Wars quebrou a barreira da telona e tronou-se uma mitologia dos tempos modernos. Vendendo não apenas ingressos, mas camisetas, bonecos, toalhas, o que você puder imaginar.

Ironicamente, o sucesso dessa geração foi o que sepultou toda a efervescência que ela trouxe à tona. Os estúdios de Hollywood são um negócio, e quando se acha o mapa da mina, usa-se a fórmula à exaustão. A novidade vira regra. Um bom exemplo disso é a atual produção em massa de filmes de super-heróis. Criando um culto de fãs que se ajoelham e pagam (e como pagam!) tributos a esse olimpo de deuses da cultura pop.

Como já foi dito por aí, Rogue One: Uma História Star Wars não passa de um caríssimo fanfic, obras feitas por fãs para fãs. Tanto que os momentos em que o público solta gritinhos de triunfo são exatamente quando personagens icônicos da trilogia original iniciada por Lucas em 1977 fazem suas pontas.

Rogue One conta a história do grupo que descobriu a existência da Estrela da Morte e seu ponto fraco, que, aliás, foi motivo de piada durante décadas, vide S.O.S. - Tem um Louco Solto no Espaço. Até aí, tudo muito legal. No entanto, o filme cai naquele padrão já repudiado parágrafos acima.

Sua primeira metade – mesmo que falhe em dar qualquer tipo de profundidade aos personagens – é até interessante, mostrando rebeldes dissidentes da Aliança como jihadistas de uma galáxia muito distante, mas a segunda metade cai nas armadilhas de sempre, dando ênfase demais às batalhas e nos inundando com diálogos e situações clichê. A falta de carisma da dupla de protagonistas Jyn Erso (Felicity Jones) e Cassian Andor (Diego Luna), também não ajuda em nada.

No final das contas, os fãs (que são muitos!) vão amar, mas diferente de Guerra nas Estrelas, Rogue One não deixará qualquer marca no imaginário coletivo mundial. O filme vai render muito burburinho e grana, muita grana, mas em uns cinco anos ninguém mais vai se lembrar dele e de seus heróis.

Escrito por Rafael Argemon
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