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O Lamento: crítica do filme

Deixe-se levar pelo excêntrico mundo do cinema coreano.

O cinema coreano se destaca mesmo entre outros mercados do oriente, onde as produções de Hollywood tradicionalmente enfrentam uma concorrência mais acirrada da produção local. É claro que aspectos culturais têm papel importante nesse resultado. No Japão, os animes derrubam grandes produções da Marvel, por exemplo. Mas é evidente que a qualidade e, principalmente, a inventividade dos filmes coreanos são determinantes. Em 2016, sete das dez maiores bilheterias do país são de produções nacionais.

Na lista, filme de zumbi (Invasão Zumbi), de cadeia (A Violent Prosecutor), drama de época (The Age of Shadows), catástrofe (The Tunnel), comédia policial (LUCK-KEY), thriller erótico de época (The Handmaiden) e O Lamento, um característico mashup entre terror demoníaco, policial, zumbis, comédia pastelão e drama familiar.

Sabe quais são os títulos americanos do ranking? Duas produções de super-herói da Marvel (Capitão América: Guerra Civil e Doutor Estranho) e mais um filme do universo de Harry Potter (Animais Fantásticos e Onde Habitam). Ou seja, procura por algo distante das mesmas fórmulas de (quase) sempre? Experimente o cinema coreano. E O Lamento é uma ótima chance para mergulhar nesse excêntrico mundo da produção cinematográfica da Coreia do Sul.

Jong-Goo (Kwak Do-won) é um policial gordinho e covarde de uma pequena cidade do interior. Sem muito traquejo e paixão pelo que faz, ele é forçado pelas circunstâncias a fazer seu trabalho quando uma série de assassinatos brutais começa a pipocar em seu vilarejo. No decorrer da investigação, um estranho forasteiro japonês o leva a encarar forças do além que ameaçam a todos, incluindo sua amada família.

Não há nada que você não encontre no filme de Hong-jin Na (diretor dos ótimos O Caçador e The Yellow Sea). O mais curioso é que essa mistura de gêneros nos é apresentada em etapas, como uma escada que nos leva cada vez mais fundo em direção ao inferno. Começa intrigante e engraçado, depois se rende ao exotérico, o macabro, e termina como uma tragédia grega.

O Lamento não é perfeito. O filme às vezes escorrega em reviravoltas um pouco tardias, mas é extremamente divertido nos mais antagônicos sentidos da palavra – fique ligado na incrível cena do ritual de exorcismo! Você pode até não gostar, mas garanto que não se esquecerá dele tão cedo. 

Escrito por Rafael Argemon
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