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Moana - Um mar de Aventuras: crítica do filme

Nova animação da Disney é oca como uma concha do mar.

A cada novo lançamento, a Disney fica entre a cruz e a espada. Se aposta em sua fórmula tradicional de contos de fadas, com princesas brancas e loiras dependentes de príncipes encantados em um reino de características europeias, leva tomatadas. Se da à trama características mais étnicas, com heroínas menos donzelas, o estúdio é acusado de estereotipar minorias. Moana - Um mar de Aventuras faz parte dessa segunda situação. E o resultado não poderia ser outro: um mar de estereótipos.

Filha do chefe de uma tribo na Polinésia, a jovem Moana não consegue pensar em outra coisa a não ser se aventurar pelo mar. Mas seus desejos são reprimidos por seu pai, que tem trauma do mar e acha que o melhor para seu povo é continuar na ilha em que vivem. Porém, desde que o coração da deusa da natureza foi roubado pelo semideus Maui, uma onda de morte se propaga. Quando esta alcança a ilha do povo de Moana, a princesa não tem outra alternativa a não ser buscar a tradição navegante de seus ancestrais e partir para o mar aberto atrás de Maui e desfazer a tal maldição.

A Disney tenta de tudo para nos convencer de que este não é um de seus filminhos de princesa, mas a Moana é uma princesa que contraria seu pai e parte para uma aventura acompanhada de um bichinho e um alívio cômico. É verdade que não há o indefectível par romântico, mas a fórmula está lá, sempre, apenas maquiada uma embalagem étnica de produto para exportação.

No entanto, o que mais prejudica o filme é sua trama rala. O estúdio até acerta em não se aparar na muleta do vilão, mas preenche pedaços da jornada de sua heroína com obstáculos que não trazem nada à história, como um bando de pequeninos piratas e um siri gigante meio ‘gangsta bling bling’ que dão a impressão de ser apenas encheção de linguiça. As crianças vão gostar, claro, e vão sair cantarolando o tema musical, mas o resultado é medíocre. Vai render muito dinheiro vendendo bugigangas e MacLanche Feliz, mas Moana - Um mar de Aventuras é oco como uma concha do mar.

Escrito por Rafael Argemon
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