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La La Land: crítica do filme

Musical se rende a artifícios do passado para construir o futuro.

Se havia alguma dúvida de que Damien Chazelle seja um apaixonado pelo jazz e pelo cinema dos anos 1940 e 50, La La Land: Cantando Estações acaba com ela. O diretor já tinha demonstrado esse amor em seu filme anterior, Whiplash: Em Busca da Perfeição (2014), colocando o gênero musical como protagonista e dando uma piscadela às produções cinematográficas dessa década em uma cena em que os personagens de Miles Teller e Paul Reiser assistem a uma sessão de Rififi (1955), clássico dos filmes de roubos de Jules Dassin.

Mas, enquanto em Whiplash esse sonho retrô fica mais na intenção, La La Land é sua realização. E isso está muito claro na figura de Sebastian, personagem interpretado por Ryan Gosling, que é um alter ego do cineasta, um homem que busca reviver um gênero esquecido, que não agrada mais o grande público.

Dito isso, La La Land tinha tudo para ser apenas um exercício de puro saudosismo, mas Chazelle foge dessa armadilha de forma engenhosa, misturando elementos antigos com situações da vida moderna, brincando com o mundo da fantasia dos musicais vs a dureza do “real”. O prólogo – mesmo que um pouco descolado do resto da narrativa – já faz um bom resumo dessa sensação que permeia todo o filme.

É bem verdade que isso acarreta algumas quedas de ritmo, deixando a metade da trama um pouco arrastada, mas a soma dos fatores não altera o produto. La La Land é uma bela homenagem aos anos de ouro dos musicais, mas que não se satisfaz apenas com isso. Se rende a artifícios do passado para construir o futuro desse gênero tão importante para a história do cinema com muita graça, elegância e até com algumas pitadas de cinismo.

Escrito por Rafael Argemon
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