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Moonligh – Sob a luz do Luar: crítica do filme

Drama toca em assuntos espinhosos com delicadeza e lirismo.

À primeira vista, Moonligh – Sob a luz do Luar pode parecer previamente pensado para ser bem sucedido em um momento em que a sociedade norte-americana – e por consequência Hollywood – que não apoia os ideais racistas de Trump e companhia clama por mais visibilidade aos negros e minorias marginalizadas. Mas assim que se começa a assistir o filme, essa ideia preconcebida cai por água a baixo. Ainda bem!

O diretor Barry Jenkins foge de clichês e do didatismo ao mostrar três recortes da vida de um personagem que se ligam entre si, mas não de uma forma muito esquematizada. Logo no início conhecemos Chiron, um menino negro de um bairro pobre de Miami que encontra no traficante Juan (Mahershala Ali) uma figura paterna que lhe dá atenção e o ajuda a lidar com o bullying que sofre na escola e com a difícil relação com sua mãe junkie, Paula (Naomie Harris). Sua vida fica ainda mais complicada na adolescência, quando além dos problemas sofridos na infância, Chiron enfrenta o descobrimento da sexualidade, ou da homossexualidade, no caso. Já adulto, ele se transforma no homem que admirava, protegendo-se na persona de um chefe do tráfico.

Moonligh – Sob a luz do Luar não tenta em nenhum momento ser panfletário. Levanta questões importantes dentro do momentum social e racial norte-americano, porém, mirando no microcosmo da vida de Chiron de forma delicada e lírica. É certo que o naturalismo solto em que fundamenta sua história às vezes atrapalhe o desenvolvimento de personagens, mas é algo que não chega a destruir o filme.

Escrito por Rafael Argemon
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