Time Out São Paulo

Logan: crítica do filme

Aventura de Wolverine é um marco entre os filmes de super-heróis.

Durante entrevista coletiva em uma passagem relâmpago por São Paulo antes do Carnaval, Hugh Jackman pisava em ovos para explicar o porquê de Logan – sua despedida na pele do super-herói Wolverine – era o melhor filme do personagem. É claro que ele não queria admitir que muitos dos títulos de que o mutante fez parte eram uma porcaria, principalmente suas as aventuras solo. Disse o que muitos não querem admitir de forma sutil. O filme, porém, deixa isso claro do jeito mais enfático possível: Logan é o melhor filme de super-herói já feito até hoje.

Em 2029, um decadente Logan (muito longe do auge da época dos X-Men) ganha a vida como chofer de limusine para cuidar do professor Charles Xavier, debilitado pela idade avançada (tem 90 anos) e pelo Mal de Alzheimer. Com seu poder de cura falhando e desiludido com a vida, Logan tenta juntar dinheiro para comprar um barco e poder viver longe da sociedade com Xavier, que por conta de sua doença passou a ser um perigo para as pessoas. Porém, Logan é procurado por uma enfermeira mexicana atrás da ajuda de Wolverine. Com uma garota muda e misteriosa a tira colo, ela revela os segredos de um projeto secreto que cria mutantes para fins militares. O objetivo é escoltar a garota – perseguida por um bando de mercenários a mando da corporação que a criou – a um lugar seguro.

Logan faz algo que nenhum filme de super-herói tinha conseguido até então: dar profundidade a seus personagens. Um esgotado Wolverine e um Professor Xavier sofrendo com a demência dão uma fragilidade humana inédita a personagens desse subgênero. Outra coisa que chama a atenção é o fato do filme brincar com a mitologia moderna dos quadrinhos, onde as aventuras dos X-Men são contadas em gibis. Um recurso de metalinguagem que divide a fantasia, onde o grupo de mutantes é venerado como heróis, e a realidade, onde a maioria deles está morta e quem sobrevive é marginalizado e perseguido.

Outro fato que chamou a atenção na coletiva de Jackman foi a revelação de que este é um projeto que nasceu da cabeça dele e que foi desenvolvido junto com o diretor James Mangold – que já havia trabalhado com o ator australiano em Kate & Leopold (2001) e Wolverine: Imortal (2013) – com liberdade total da FOX, que, depois do estrondoso sucesso de Deadpool (2016), percebeu que uma censura mais elevada não afasta o público. Porém, diferente do tresloucado Deadpool, Logan é uma aventura adulta que investe bem mais nos dramas de seus personagens do que na usual pancadaria. Talvez o público adolescente não se empolgue e isso se reflita na bilheteria, mas não importa. O que interessa é que Logan é um marco entre os filmes de super-heróis.

Escrito por Rafael Argemon
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