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A Bela e a Fera: crítica do filme

Filme não passa de uma versão da Broadway recauchutada para a telona.

A nova onda da Disney de transformar algumas de suas animações clássicas em filmes com atores de carne e osso tem apenas um objetivo: Lucro. Qual é o jeito mais fácil de se garantir um sucesso de bilheteria? Fazendo outra versão de um sucesso de bilheteria, oras. E A Bela e a Fera é ainda mais preguiçosa que Mogli: O Menino Lobo (2016), o primeiro filme dessa leva de caça-níqueis do estúdio. O filme não passa de uma versão da Broadway recauchutada para a telona, e com efeitos especiais muito inferiores a seu predecessor.

Projeto dos sonhos da atriz e ativista de causas femininas Emma Watson (a Hermione da saga Harry Potter), o filme fracassa até na tentativa de um discurso mais feminista. Se por um lado coloca Bela (Watson) como uma “mulher a frente de seu tempo”, que não acha que o destino de sua vida dependa de um homem e que está longe de buscar um “príncipe encantado”, no final é “recompensada” com... Um príncipe encantado. O sucesso da batalhadora e inventiva Bela é tornar-se uma princesa. Ou seja, aquele mesmo papinho de sempre.

A história aqui é um fiapo entrelaçado por números musicais dignos de shows de navios de cruzeiro. Um príncipe arrogante é amaldiçoado a tornar-se um monstro e seus empregados em objetos de seu castelo. O encanto só será quebrado se ele se apaixonar por alguém e esse alguém cair de amores por ele. E isso deve acontecer enquanto uma rosa ainda possui suas pétalas. Um dia, o pai de Bela (o sumido Kevin Kline) acaba no castelo por engano e é preso pela fera. Quando vai ao local resgatar seu pai, Bela troca de lugar com ele, tornando-se cativa da fera. O pai dela busca a ajuda do herói local, Gastón (Luke Evans), que aceita ajuda-lo com a condição de se casar com Bela.

A versão live-action de A Bela e a Fera simplesmente não funciona. No máximo arranca algumas risadas nas raras vezes em que deixa de ser uma fábula pudica ao estilo mais tradicionalista da Disney, como no número musical de LeFou (Josh Gad), o único personagem que não é unidimensional. Este é um filme feito para mães de meninas que ainda acham que o sonho de qualquer uma dela é ser uma princesa. Sim, porque suas filhas vão achar uma chatice antiquada.

Escrito por Rafael Argemon
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