Time Out São Paulo

Fragmentado: crítica do filme

James McAvoy impressiona em thriller que escorrega no final.

M. Night Shyamalan é um diretor amado por muitos e odiado por mais gente ainda. Nada fora do comum para alguém com uma filmografia tão irregular. Enquanto O Sexto Sentido (1999), A Vila (2004) e A Visita (2015) são ótimos; Corpo Fechado (2000), Sinais (2002), A Dama na Água (2006), Fim dos Tempos (2008), O Último Mestre do Ar (2010) e Depois da Terra (2013) são, no mínimo, esquecíveis. Seu novo filme, Fragmentado, pode muito bem entrar no primeiro grupo.

Desde A Visita, o diretor nascido na Índia, mas criado nos Estados Unidos, deixou a grandiloquência de lado e voltou às suas raízes de filmes menores e calcados na fórmula mais tradicional dos thrillers. Outrora até comparado a Hitchcock. Um exagero sem tamanho, mas não sem algum sentido. Fragmento tem muito da aura B de Psicose (1960). O protagonista Kevin (James McAvoy) pode até ser encarado como um Norman Bates da nova geração. E é aí que o filme acerta. No entanto, quando se distancia da temática psiquiátrica e apela para o “sobrenatural”, escorrega feio.

Na trama, o jovem atormentado Kevin possui 23 personalidades. Dessas, três começam a se manifestar mais: Dennis, um homem metódico que tem tara por adolescentes; a manipuladora Patricia e Hedwig, um menino de 9 anos. Essas três personas acreditam no surgimento de uma nova personalidade, um ser selvagem que eles chamam de Fera, que virá à tona para vingar as pessoas com problemas psíquicos contra os ditos “normais”. A situação se complica quando Dennis rapta três adolescentes para colocar o plano da Fera em prática, mas Barry, outra dessas personalidades, tenta alertar a psiquiatra que cuida de Kevin, a Dra. Karen Fletcher (Betty Buckley).

Fragmentado é muito mais um thriller psicológico do que terror, como sua campanha de marketing o vende. Essa confusão se dá não apenas por esse equivocado viés sobrenatural em sua parte final, mas também por James McAvoy, que por mais que se esforce com uma atuação digna de admiração, simplesmente não convence como uma pessoa assustadora. Isso sem falar na história fraquinha de Anya Taylor-Joy (que brilhou bem mais em A Bruxa), uma das adolescentes raptadas. Porém, o resultado geral é satisfatório e traz alguns momentos bem interessantes, como as ótimas caracterizações de McAvoy e suas interações com sua psiquiatra. A conclusão traz uma surpresa que, assim como a fama de Shyamalan, pode agradar ou desagradar a muitas pessoas. 

Escrito por Rafael Argemon
Compartilhe

Comentários dos leitores

blog comments powered by Disqus

Outras notícias recomendadas

Os filmes da semana – 17/08/2017

Os filmes da semana – 10/08/2017

Dia dos Pais 2017