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Mulher-Maravilha: crítica do filme

Primeiro filme de herói com protagonista feminina não é essa maravilha toda.

Depois do fracasso retumbante de Batman vs Superman: A Origem da Justiça e Esquadrão Suicida, ambos de 2016, Mulher-Maravilha é a grande cartada da DC na batalha nerd contra a Marvel. Mas não apenas isso. É o momento de, finalmente, termos uma protagonista feminina dentro de um subgênero tão machista quanto o dos filmes de super-heróis. É o filme que queremos muito amar.

O grande problema é que o filme da diretora Patty Jenkins – de Monster: Desejo Assassino (2003) – segue com os mesmos problemas de seus antecessores. Produções que se perdem em um terreno lamacento entre o camp e a suntuosidade. Mulher-Maravilha é um filme B ou uma superprodução? Se optasse pela primeira via, seria bem mais interessante, mas acaba aprisionado no que há de mais genérico dentro de seu nicho, com trilha sonora excessiva, diálogos didáticos e aquele eterno papo de bem contra o mal.

A pequena Diana é a única criança entre as amazonas da ilha de Temiscira. Ela sonha em ser uma guerreira, mas sua mãe, a rainha Hipólita (Connie Nielsen) é contra a ideia. Hipólita chega até a explicar a sua filha a origem dos seres humanos e de sua queda por conta da guerra em um tipo de iPad mitológico. Mas a garota é teimosa e passa a treinar as escondidas com sua tia, a maior guerreira entre as amazonas: Antíope (Robin Wright). Já crescida, a adulta Diana (Gal Gadot) vê um piloto cair com seu avião perto da costa de sua paradisíaca ilha. Ele é Steve Trevor (Chris Pine), um espião americano que roubou a fórmula de uma poderosa arma química e que está sendo perseguido por um navio alemão. Após uma batalha contra os malvados alemães, Diana entende que seu papel é acabar com a Primeira Guerra Mundial, que ela tem certeza ser obra do temido Ares, o deus grego da guerra. Por isso, vai com Trevor até o front munida de seu laço da verdade, escudo, braceletes à prova de balas e espada.

Até no que teria de mais interessante a oferecer, como ser um veículo às massas do empoderamente feminino, a produção falha. Ou você esperava que algo diferente vindo de um roteiro escrito por cinco homens? Há até alguns momentos divertidos dentro desse tema, como quando Diana explica a Trevor que os homens são importantes na reprodução, mas que são dispensáveis quando o assunto é o prazer feminino. Porém, mesmo poderosa e muito mais inteligente que qualquer personagem masculino da trama, ele acaba sempre precisando de uma mãozinha masculina e, no final, quem literalmente dá sua vida pela humanidade é um homem. Ou seja, feminismo aqui é apenas uma peça de marketing. Propaganda para vender ingressos e produtos relacionados ao filmes. Uma pena.

Escrito por Rafael Argemon
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