E (até) a SPFW acabou em carnaval

No último dia da principal semana de moda do país, estilistas abusaram das estampas

Segunda-feira, 23 de janeiro de 2012


Último dia de SPFW, eba! A gente finge que não gosta, que não aguenta mais, mas quando acaba bate uma saudade... Enfim, chega de melodrama. Para encerrar essa temporada outono-inverno, os estilistas aproveitaram a proximidade do carnaval para usar e abusar das estampas.

A Neon, com sua coleção inspirada em Istambul, apareceu megacolorida com formas espalhafatosas, como sempre. Quem esperava o arco-íris exagerado da marca, saiu feliz. Quem queria novidade de Dudu Bertholini e Rita Comparato, ainda vai ter de esperar.

A Fernanda Yamamoto, para quebrar um pouco essa coisa multicolorida tipo pacote de M&M’s, veio com uma passarela repleta de cinzas e tons terrosos em estampas meio bizantinas, que empolgaram, e em experimentações com listras que, sejamos sinceros, nem tanto.

Alexandre Herchcovitch foi buscar na infância a ideia para sua linha masculina. Quando garoto, o estilista estudou em um colégio de judeus ortodoxos e as vestimentas dos religiosos foi reinventada na coleção: os tradicionais ternos pretos receberam cortes modernos e franjas por baixo das camisas, reproduzindo o efeito do gartel – cinto usado em rezas. Atenção para a estampa geométrica que forma estrelas de Davi e para os tons de azul e branco tirados da bandeira de Israel. Dessa vez, os homens de Alexandre superaram as mulheres.

Já a Amapô teve uma inspiração em uma tribo polêmica: skinheads. A marca afirmou, em seu material de divulgação, ter se inspirado no violento grupo urbano, embora suspensórios, coturnos e modelagens justas não sejam exclusividade dele. O uso de branco lembrou os droogs do filme Laranja Mecânica, tão truculentos quanto os carecas. Estruturas geométricas nos ombros e torso, junto de tecidos metalizados e estampas abstratas, trouxeram um quê modernista à coisa toda. Bem bolado.

Por fim, André Lima misturou grafismos africanos com cortes japoneses em uma paleta que vai do abóbora ao azul de azulejo. Muito volume e tecidos esvoaçantes neste inverno exótico e cosmopolita.

Segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

 

A segunda-feira de conversinhas e troca de ideias na redação da Time Out SP resultou em um post sobre os [bons] gostos da nossa equipe. Colegas, me perdoem se eu errar, mas hoje vou buscar um pouquinho de cada um nos desfiles do quinto dia de SPFW.


Glória Coelho com suas linhas minimalistas e mistura de materiais me fez pensar, em um primeiro momento do desfile, em galerias de arte refinadas.  A mistura de pele de vaca – pele mesmo, com pelos – e cortes geométricos é digna de uma obra modernista. Acho que a Catherine, subeditora da Time Out SP em inglês, gostaria de algumas coisas aqui. Depois apareceram uns looks mais menininha com organzas e babados em um rosa super pálido. O material, aliás, é quase que uma assinatura da estilista, estando presente em várias coleções. Vibe fofura da Alice, repórter da casa..

Na Maria Bonita, o clash de feminino e moderno resultou em roupas e acessórios que têm a cara da mulher urbana brasileira. Com uma alfaiataria em tons arenosos – inspirada pelo Norte e Nordeste brasileiros –, a marca trouxe longos blazers e vestidos com lapela. O abuso fashion aqui foi o “esqueleto” de blazer feito com grandes canutilhos. Se fosse chutar, acho que a Evelin e a Fabiana, editora-chefe e subeditora da versão em português, curtiriam esse despojamento chique e, com certeza, os sapatos em tramas tipo cestaria.

A Meg, que sempre mistura peças clássicas com outras divertidas, e a Gracita com seus looks básicos talvez aproveitassem umas ideias da UMA Raquel Davidowicz. Conhecida pelas roupas sóbrias, mas modernas, ideais para ambientes formais (mas não muito), a grife usou tons de vermelho, cinza e preto em peças comerciais. As duas editoras-assistentes de português poderiam curtir um colete, uma jaqueta ou um blazer.

A Ana Cecília, repórter, ia curtir a coleção do João Pimenta. Apesar de ser uma grife masculina, a temática foi toda steampunk e tinha um quê de Sweeney Todd, com couros e alfaiatarias vindas do século XIX em tons de marrom-café e derivados. Corey, editor-assistente de inglês e único homem na turma, também curtiria, acho eu.

Aliás, falando em moi, surtos múltiplos com o Lino Villaventura e sua coleção inspirada em Francis Bacon – o pintor, não o filósofo. Os plissados, organzas, tafetás, veludos criam formas assimétricas tão artísticas quanto os quadros grotescos, um luxo meio louco. Muito preto, vermelho escuro, cinza e roxo, bem trevas. Acho que a Claire, editora-chefe de inglês, também aprovaria a inspiração vinda dos museus.

 

Ainda bem que é só coisa fina, imagina dizer que alguém combina com, sei lá, Ropahrara. Eu apanhava feio!
 

Domingo, 22 de janeiro de 2012


O domingo foi bem temperado nas passarelas da SPFW. Com inspirações mais óbvias ou mais sutis, as grifes trouxeram temáticas étnicas e saborosas. 

A Cavalera começou o dia longe da Bienal, lá na Estação da Luz. Com estampas fortes – temperadas com chili – contrastando com looks totalmente pretos, a marca criou um Velho Oeste comercial e nada literal. Em vez de botas de caubói, desfilou sapatos com detalhes gráficos bem coloridos e tachas e chapéus urbanos, com apliques sofisticados de penas pretas.

Jefferson Kulig apresentou uma coleção de sabor herbal. Com aplicações de florzinhas e cores leves, as peças formaram uma atmosfera de chá da tarde no meio do outono. Chá verde, é claro, para manter a silhueta em dia. 

A FH por Fause Haten, por outro lado, trouxe cores, estampas fortes e tropicais. Se o outro desfile era típico da refeição diurna tradicional dos ingleses, este foi um cuba libre em um jantar black tie. Em algum resort chiquérrimo no Caribe, diga-se.

Juliana Jabour teve como inspiração o filme Viagem a Darjeeling – não, ela não colocou vacas para desfilar. Nem usou sáris e tatuagens de henna na passarela. A Índia deu as caras nos tecidos e bordados em tons amarelo-curry, açafrão e em um azul meio místico, lindo. 

Terminando com Ashton Kutcher, quer dizer, Colcci, o dia foi arrematado com tricôs que lembram estampas camufladas em tons outonais – como berinjela, verde-musgo e azul-petróleo. Junto de peças em couro, as tramas deram a impressão de uma viagem rumo ao exótico. 

Sábado, 21 de janeiro de 2012


O sábado foi de texturas na SPFW. Entre couros, peles, vinis, plumas e metais, os desfiles evocaram uma mistura de sensações e trouxeram à superfície a memória sensorial.

Reinaldo Lourenço, por exemplo, usou muito vinil e pele, principalmente em preto. O resultado da mistura foi uma aura fetichista. Mas é um fetiche requintado, tá? Não vá pensando em lingerie barata de sex shop!

A Ellus também puxou esse lado meio sadomasoquista, meio metaleiro, mas com mais rebeldia e menos finesse. Sabe aqueles dias em que você quer porque quer usar uma luva de couro e fazer cara de má? É bem essa a ideia.

Como ninguém é do mal o tempo inteiro, a Huis Clos aliviou a paleta e as formas. Mas o uso de veludo molhado em algumas peças evoca o contato do tecido macio com a pele. Só de olhar o vestido balançando, já dá uma sensação de conforto.

Agora, quem causou mesmo na passarela foi Samuel Cirnansck. Encerrando o dia, o estilista manteve a tradição e desfilou peças dignas de um artista rococó. A textura aqui ficou por conta das plumas e peles usadas em todas as peças, variando entre o branco, o ouro e o preto. Impossível não pensar em Cisne Negro.
 

 

Sexta-feira, 20 de janeiro de 2012


Sexta-feira é um ótimo dia para pegar um cineminha (até demos as dicas aqui) e as grifes que do segundo dia de SPFW sabem muito bem disso. Os desfiles lembraram alguns filmes que todo mundo já viu ou ouviu falar (se você não conhecer nenhum, está na hora de atualizar a videoteca, hein?).

As modelos de Pedro Lourenço, por exemplo, apareceram com lentes escuras que lembram os óculos de Doc Brown – personagem de Christopher Lloyd em De Volta para o Futuro – e estampas fotografia similares às paisagens de Tatooine e Hoth, dois planetas que aparecem na saga Star Wars

Já a R. Rosner – que faz seu début nesta edição – foi menos geek e mais gótica, com um show muito glamoroso e barroco, que parece ter saído do filme Drácula de Bram Stoker, dirigido por Francis Ford Coppola.

Alexandre Herchcovitch, sempre um dos mais esperados da semana de moda, usou silhuetas e paleta que lembram a década de 1970. Carregando em camurças e tons de camelo e marrom, o estilista transformou a passarela em um filme do diretor hipster Wes Anderson (não levem a mal, é hipster, mas é bom). As modelos loiras têm um quê de Margot, personagem interpretada por Gwyneth Paltrow em Os Excêntricos Tenenbauns.

A Iódice lembrou uma produção mais recente e se jogou no minimalismo preto da personagem Lisbeth Salander, do filme Millenium – Os Homens que não Amavam as Mulheres (aliás, ela já havia "aparecido" lá no Pedro Lourençou). Bem, na verdade, parece mais o figurino de red carpet da atriz Rooney Mara, que interpreta a hacker.

E a Triton? Com grafismos meio indígenas e pegada boyish em alguns looks, acabou lembrando o Velho Oeste de Bravura Indômita.

Quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
 

O primeiro dia da São Paulo Fashion Week foi de ressaca. Todo mundo meio cansado de semana de moda nas gringas e de todo o color blocking da temporada passada. Enfim, a noite desta quinta-feira exalava cansaço pós-festa. E, quando a gente exagerou na noite anterior, nada como uma roupa soltinha, cabelo ‘saí do banho e deixei secar’ e aquela make de quem aproveitou a ‘montagem’ da noite anterior ou lavou o corpo (e a alma). Preguiça e conforto são as palavras de ordem – na maquiagem natural e nos materiais acolhedores, como peles sintéticas e organzas fluídas.

No caso da Animale (foto acima), o olhão preto e o cabelo escorrido combinaram bem com as silhuetas folgadas meio boho, meio minimalistas. Marcou almoço no day after? Essa é a pedida.

Na Tufi Duek, a ideia já era um ‘estou de ressaca, mas tenho reunião’. O cabelo preso junto de formas angulares, paleta cheia de brancos, cinzas e metálicos, formaram um conjunto austero e muito simples, para quem não quer (nem consegue!) pensar muito no visu.

A Cori trouxe tons terrosos, revivendo o camelo e os acessórios no cabelo, porque às vezes bate uma vontade de se conectar à Mãe Terra e desintoxicar o organismo.

Encerrando a noite, a Osklen provou que o dia depois da festança, às vezes, traz boas e refrescantes ideias para renovar sua identidade fashion. Sabe aquele casaco de pele (falsa, please!) laranja que você comprou em uma superliquidação há cinco anos? Aproveite o estado transcedental que só uma pisada na jaca proporciona e vá à padaria com ele.

Mais: Conheça as lojas de alguns dos principais estilistas da SPFW

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Escrito por Anita Porfírio
 

Comentários dos leitores

blog comments powered by Disqus
 

© 2011 - 2016 Time Out Group Ltd. All rights reserved. All material on this site is © Time Out.