Muito prazer, Matheus Grou

Descobrimos seis lugares espalhados pela Rua Matheus Grou para você aproveitar ótimas lojas e pequenas galerias

Evelin Fomin
No Estúdio Gloria, só entram móveis feitos até a década de 1970.


O conceito de charme é abrangente e subjetivo, é verdade. Mas para que uma rua leve tal adjetivo, alguns ingredientes ela deve ter. Três, no caso: história, beleza e alma. É, alma. E se não fosse assim, a Rua Matheus Grou seria apenas mais uma entre tantas outras de pegada alternativa tão comuns à região de Pinheiros e da Vila Madalena. Caminhamos por ali em uma quinta-feira abafada de novembro, mas a cada quarteirão ela se mostrava arejada e interessante.
 

Nostalgia e originalidade

Estúdio Gloria (R. Matheus Grou, 576, Pinheiros, 3097-9970. estudiogloria.com.br)

Evelin Fomin

Delicioso espaço onde funcionará um café com quitutes da Dona Doceira


Não é à toa que o Estúdio Gloria resolveu sair do endereço da Rua Girassol e seguir para a Rua Matheus Grou. Instalado desde o fim de novembro de 2012 no novo endereço, é praticamente impossível não dar um suspiro de “nossa, que lugar incrível”, nem que seja para si mesmo. Planejado com “alma”, o casal Karina Vargas e André Lima – ela, formada em moda e decoração; ele, publicitário – transformou um galpão histórico de 700 m² em um cenário de nostalgia, originalidade e bom gosto por todos os cantos. Impossível passar despercebido por ele: um poema estampado na parede lateral da entrada, feito em lambe-lambe, dá as boas-vindas.

Para manter viva a memória do lugar, que originalmente foi uma padaria no bairro, possivelmente a única que recebia farinha para fazer pão no pós-guerra, o casal mandou fazer placas para indicar o uso dos espaços na época.

No amplo salão de entrada ficam o oratório criado por Vargas, um dos poucos nichos que não estão à venda, mas que servem de pura inspiração, e, mais adiante, o antigo depósito de farinha, usado hoje como estoque “das bagunças” da loja. Na sala central ficam as cadeiras reformadas com tecidos trazidos de viagens feitas à Cidade do México e Nova York. Cobice nos demais ambientes cada móvel das décadas de 1910 a 1970, todos separados por tema.

Além da ‘sala central’, circule pela ‘sala escura’, com belos buffets com os charmosos pé-palito, a ‘maloca’, que reproduz um cenário de uma casa simples e graciosa, e o ‘quarto’, com as únicas peças novas de cama-mesa-banho, desenhadas por Vargas. Ao lado, uma grande mesa expõe objetos e utensílios de cozinha, além de outros badulaques de decoração, boas opções para presente de fim de ano.

Mas a surpresa fica por conta do ‘café Bahia’, que dá de frente para o jardim, o último cenário que coroa o Estúdio Gloria com uma linda imagem de Iemanjá, que Vargas jamais venderá, e sua sala de estar herdada da avó, também não à venda. Tudo ali está pronto para o funcionamento de um café de verdade, com quitutes que virão da Dona Doceira, que resgatam receitas tradicionais de Goiás.
 

Marcas do tempo

Fulana Guaçú (R. Matheus Grou, 645, Pinheiros, 3628-5516. fulanaguacu.com.br)

Evelin Fomin

Darezzo Filho e os badulaques pop da microloja Fulana Guaçú

Na esquina da Rua Cardeal Arcoverde, ao lado de uma loja de móveis rústicos que funciona há 22 anos, fica a Fulana Guaçú de Mauro Darezzo Filho, 27 anos, que resolveu seguir os passos do pai. Em sua microloja, só entram peças de gosto pessoal.

Aberta há seis meses, ele sabe que fez a coisa certa: já teve de repor muitos objetos no estoque, como as latas de mantimento que criou com base nas que seu avô guardava pregos e parafusos. Darezzo Filho copiou os rótulos antigos, desgastados como nas latas originais, e o produto virou um sucesso. Ali, os porta-chaves também são destaque, feitos em resina com imagens que vão desde antigos taxímetros até os desenhos das calçadas com o mapa de São Paulo. Repare ainda nos potes de cerâmica com os rótulos de produtos bem brasileiros, como leite condensado e amido de milho. Tudo ali é uma viagem ao passado, sempre com uma pegada pop.
 

Pequena notável

Moura Marsiaj (R. Matheus Grou, 618, Pinheiros, 3031-1061. mouramarsiaj.com.br)

Divulgação

A pequena galeria é agradável e arejada


No número 618, uma compacta e arejada galeria  – a Moura Marsiaj – foi aberta em março de 2011 da união de Mariana Moura, de Recife e Marsiaj, do Rio de Janeiro. Representando mais de 20 artistas de todo o país, a galeria promove exposições individuais e coletivas, além de incentivar a pesquisa de novas mídias. Em novembro de 2011, recebeu obras de Isaque Pinheiro e em dezembro de 2012 e janeiro de 2013, o espaço está ocupado pela mostra Mutatis Mutandis, com obras coletivas de seis artistas.
 

Tarde na sombra 

Evelin Fomin

Caramanchão na Praça Matheus Grou garante sombra aos visitantes


Faça uma pausa na Praça Matheus Grou (na altura do número 502), inaugurada em 2003. No meio da tarde, mães com bebês se misturam a engravatados que não largam o celular. O lugar é convidativo para um piquenique urbano, com uma mesa de madeira coberta por um caramanchão que proporciona uma sombra refrescante.
 

Brincadeira de arte

Galeria nuVEM (R. Matheus Grou, 355, Pinheiros, 3061-1237. galerianuvem.com.br)

Divulgação

A galeria reúne obras de arte contemporânea incríveis


Você não pode deixar escapar a Galeria nuVEM. Também pequena, ela tira suspiros dos amantes da arte contemporânea. Com sorte, você poderá (tentar) conversar com Sang Won Sung, artista plástico coreano, radicado em São Paulo há 20 anos, dono do espaço e principal autor das obras em exposição (também à venda). Brinquedos de plástico em suas mãos se transformam em obras de arte inimagináveis, que estarão dando sopa bem ali, na sua frente. Outros artistas coreanos também têm seus trabalhos expostos, como Agnes Hong e suas esculturas de bronze e resina, e o brasileiro Marcelo Lopes e sua aquarela ultraprecisa com imagens detalhadas de cenas do cotidiano em São Paulo.
 

Pedra preciosa

Prado (R. Matheus Grou, 266, Pinheiros, 2337-9026. pradoaccessories.com.br)

Evelin Fomin

Maxicolares feitos por Bruna Prado são as estrelas da loja


Já bem próximo à Rua dos Pinheiros, a loja de acessórios Prado, foi aberta há quatro meses. Tudo começou no boca-a-boca, pela internet, com a venda dos maxicolares feitos por Bruna Prado. O sucesso foi tamanho que a loja física foi necessária. O lugar, bastante feminino, vende também peças de roupa da grife 3, Rue de La Paix (3ruedelapaix.com.br), mas os colares ainda são o destaque, ocupando toda a parede lateral.

Escrito por Evelin Fomin
 

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