Arte indígena

 Artesanato indígena autêntico e de qualidade em lojas especializadas

Alan Taha/Time Out
Objetos indígenas da Casa do Amazonas
Você não precisa ir até a Amazônia para encontrar máscaras, cestas ou banquinhos em forma de tamanduá produzidos por um dos 230 povos indígenas do Brasil. São Paulo tem um pequeno, mas seleto, grupo de lojas especializadas em artesanato indígena. Mas, antes de sair às compras, é bom parar e pensar o que vale a pena comprar.
 
Por toda a cidade, você encontrará lojas e mercados que vendem artesanato – como frutas de madeira e corda, pintadas em cores vivas e produzidas em pequena escala por comunidades da região. Frequentemente, esses objetos são feitos para turistas, ou seja, de baixa qualidade e com a utilização de materiais ruins, como tinta comercial. Embora esse tipo de artesanato possa ser de fato produzido por grupos indígenas, há muitos outros artefatos indígenas autênticos e de qualidade à venda em São Paulo, feitos com técnicas e materiais usados há gerações. Basta saber onde procurar.
 
Infelizmente, quando se trata de descobrir a origem e a autenticidade de um objeto indígena, nada é preto no branco. Em nossa pesquisa, não encontramos nem vestígio de uma certificação oficial ou de um sistema de monitoramento, e a Fundação Nacional do Índio (Funai) não conseguiu preencher essa lacuna.
 
A solução foi perguntar por aí e, então, ir para a rua conferir três lojas consideradas sérias, cujos proprietários compram diretamente das tribos e são apaixonados pelos produtos que vendem – e pelas pessoas que os criam.
 
Amoa Konoya
Amoa Konoya significa jabuti nos dialetos Suruí e Ashaninka, e é também o nome dado por Walter Gomes e sua esposa, Silvana, à loja que vende objetos de mais de 60 tribos do Brasil inteiro. Reserve um tempinho para relaxar no jardim e ouvir as histórias sobre as tribos e seus costumes, contadas pelos próprios donos. "Cada detalhe e ornamento de um objeto está relacionado à mitologia da tribo. Pense nisso na próxima em que se sentar em um banco decorado com macacos", conta Walter Gomes, aos risos, referindo-se ao costume que algumas tribos têm de comer carne de macaco como um Viagra natural. Rua João Moura, 1.002, Pinheiros (3061 0639, amoakonoya.com.br)
 
Melhor compra Uma corneta de cerâmica feita pelo povo Marubo no Vale do Javari. R$380.
 
Casa do Amazonas
Você vai se surpreender ao encontrar as irmãs Fátima e Moriko Hamakawa – a terceira irmã, Junko, infelizmente faleceu em dezembro –, descendentes de japoneses, no comando de uma das mais antigas e tradicionais lojas de artefatos indígenas da cidade. A Casa do Amazonas vende objetos autênticos há mais de 30 anos, principalmente para colecionadores e estrangeiros. "Tomamos muito cuidado para não vender objetos feitos para turistas", diz Fátima, que conhece os desafios enfrentados pelas tribos. "O uso de penas foi proibido há seis anos e, com isso, a natureza de seu trabalho mudou. O desmatamento e a globalização levaram à perda da pureza também." Alameda dos Jurupis, 460, Moema (5051 3098)
 
Melhor compra Bonecas de cerâmica da tribo Karajá, no Tocantins, feitas para crianças. R$15-$20.
 
Iandé
A loja de Helena Shizue Yamanaka – Iandé, que significa "nosso" em Tupi-Guarani – não fica muito longe da Amoa Konoya, escondida no meio da bagunça da Rua Augusta. Antes de abrir a loja, em 2000, Helena desenvolveu a paixão e o conhecimento sobre arte indígena quando trabalhava na Funai. A Iandé vende artesanato de mais de oito tribos, incluindo cestas, redes, cerâmica, máscaras, bancos, instrumentos musicais e enfeites, entre outros. Todos os produtos vêm com um folheto explicativo, com a história da tribo e informações sobre o objeto. Rua Augusta, 1.371, Loja 14, Jardim Paulista (3283 4924/iande.art.br)
 
Melhor compra As flautas cerimoniais criadas pela tribo Waurá são muito raras e custam R$2.550. Mas nada de pânico: também há as flautas dos Guarani, por a partir de R$25.
 
Escrito por Flavia Fiorillo
 

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