Time Out São Paulo

São Paulo: cidade da moda

São Paulo é uma Meca da moda, onde se vestir bem não é apenas importante: é fundamental. Olhe para trás e veja como a São Paulo Fashion Week  cresceu a ponto de se tornar uma constante no circuito internacional

Quem veio primeiro? Foram as modelos - Isabeli Fontana, Alessandra Ambrósio, Ana Cláudia Michels e, claro, Gisele Bündchen? Ou foi o Mario Testino, o famoso fotógrafo peruano, que é apaixonado pelo Brasil e que começou tirando fotos para as revistas W e Vogue aqui?
Para muitos especialistas, como a colunista, blogueira e editora de moda Lilian Pacce, foi um pouco dos dois: Testino multiplicado por Bündchen foi a fórmula mágica que fez o mundo parar e prestar atenção na moda brasileira, por volta de 1999 e 2000. “Antes disso, nós éramos vistos como piratas da moda”, conta Paulo Borges, criador da São Paulo Fashion Week.
Vinte anos atrás, as pessoas que consumiam moda no Brasil eram aquelas que viajavam para o exterior e traziam a bagagem repleta de roupas de designers - ou pediam para suas costureiras reproduzirem as roupas que elas viam em revistas de moda. Manufaturas famosas, como a Dener, foram precurssoras dos designers de hoje, mas ainda faltava uma cultura de moda de verdade.
Visionário
Paulo Borges nem sempre foi contra as táticas “piratas”. Quando tinha 19 anos, ele se hospedou nos mesmos hotéis parisienses que receberam as editoras de moda durante a semana de moda. Tarde da noite, ele convencia as recepcionistas francesas a lhe mostrar os convites que chegavam, roubando os que mais lhe interessavam enquanto, nos andares superiores, as famosas editoras dormiam ou faziam a maquiagem.
Do seu lugar na primeira fila, Borges prestava pouca atenção às modelos e roupas: ele estava ocupado vendo como cada desfile era organizado, contando as modelos que se exibiam na passarela, analisando a iluminação e captando tudo que pudesse aprender.
Sua manobra funcionou. Em 1993, depois de trabalhar com a Regina Guerreiro, uma das editoras de moda mais influentes da época, Paulo Borges e a empresária Cristiana Arcangeli organizaram o Phytoervas Fashion - um embrião do que viria a ser a São Paulo Fashion Week.
Em 1996, Borges rompeu a parceria com Arcangeli e criou o Morumbi Fashion, que evoluiu pra o São Paulo Fashion Week. Borges tinha um plano de internacionalizar o evento em 30 anos. Ele conseguiu em 5. Logo, a SPFW estava atraindo 150 compradores internacionais e 120 jornalistas de todo o mundo, incluindo as grandes publicações francesas e inglesas, estavam cobrindo o evento.
Tornando-se global
Mas a São Paulo Fashion Week tornou-se muito mais que apenas uma oportunidade para revistas de celebridades fotografarem ou uma vitrine repleta de roupinhas bonitas. Ela profissionalizou a indústria de moda brasileira. “Dez anos atrás, nós tínhamos quatro cursos de moda”, diz Borges, “hoje, nós temos mais de 150”.
Conforme o evento se consolidava, a indústria têxtil, estilistas e compradores começaram a organizar seus negócios de acordo com as coleções e o mercado doméstico começou a planejar seus lançamentos acompanhando a SPFW. “A São Paulo Fashion Week organizou o calnedário de moda do país”, diz Lilian Pacce.
O ano 2000 foi um divisor de águas. Kate Moss bailou na passarela para a coleção de verão da marca de jeans Ellus e um mar de flashes de câmeras explodiu.  A modelo sudanesa Alek Wek desfilou na coleção de inverno da Ellus - e de repente o holofote caiu sobre a falta de modelos negras em passarelas brasileiras.
Os célebres músicos brasileiros Carlinhos Brown, Naná Vasconcelos e Hermeto Paschoal participaram dos desfiles da M.Officer, causando um outro tipo de frisson. “É o Papai Noel?” perguntou uma infeliz modelo ao ver a barba branca do grande músico de jazz Hermeto Paschoal.
Nas manchetes
Mais uma vez, a SPFW chegou aos jornais. O evento foi a sensação da estação e o comentário da modelo foi a piada da vez na influente coluna de José Simão na Folha de S.Paulo.
Piadas à parte, nomes como Alexandre Herchcovitch, Osklen e Carlos Miele, que participaram da SPFW, consgeuiram reconhecimento internacional e muitos dos designers que desfilaram no evento agora têm lojas ou outlets em outras partes do mundo. A “moda brasileira” com certeza se fortaleceu, mas os especialistas em moda daqui acham a classificação muito genérica.
O DNA da moda brasileira
“Sim, nós temos uma relação diferente com o corpo, por isso nossa moda é mais sensual, às vezes de um modo mais sutil, às vezes mais explícito. Mas eu acredito que o mundo compreende que não existe um DNA, uma característica uniforme na moda brasileira”, diz Pacce.
Hoje, os estilistas e as 350 modelos nas passarekas da São Paulo Fashion Week são de nível internacional. Para o bem e para o mal. “Nossa semana de moda está no mesmo nível que a de Nova Iorque”, disse Pacce. Para ela, a moda brasileira só tem um DNA forte quando se fala de moda praia e ela cita a grife Lenny, com seus biquinis coloridos e sensuais, como um exemplo claro.
Mas o universo da moda é cheio de vai-e-vens e não tem muita memória e há tantos designers que foram esquecidos quanto os que estão surgindo. Lilian Pacce aposta em João Pimenta como o próximo sucesso. E uma substituta para a incomparável Gisele? Isso vai ter que esperar mais algumas edições.

Escrito por Time Out São Paulo editors
Compartilhe

Comentários dos leitores

blog comments powered by Disqus

Outras notícias recomendadas

Os filmes da semana – 01/12/2016

Ceia de Natal da Casa Santa Luzia

Rodízio de brigadeiro