Time Out São Paulo

Taco inglês

O críquete, um esporte antigo e popular na Inglaterra, faz sua incursão no país do futebol. Gibby Zobel dá algumas rebatidas

O Clube Atlético São Paulo, em Santo Amaro, conhecido como SPAC, costumava ser um ponto de encontro de estrangeiros, que lá se reuniam para o chá da tarde. Mas, as coisas estão mudando. O local desempenha hoje um papel importante para a popularização do críquete no Brasil. O time do SPAC joga duas vezes por mês e o som do bastão no couro já está adquirindo um sotaque bem brasileiro. O antigo jogo do império britânico começa a produzir talentos brasileiros.

Em um time que, poucos anos atrás, era formado apenas por diplomatas e banqueiros ingleses, agora o primeiro rebatedor - o homem que fica atrás dos wickets (as 'casinhas) - é o paulistano Guilherme Lefèvre. Ele foi eleito o melhor wicket-keeper da América nos últimos três anos. O time brasileiro também tem o arremessador mais rápido do continente, Rudyard Hartmann, que começou a jogar apenas em 2005. Ele é o capitão do primeiro time só de brasileiros, os Candangos, que jogam em Brasília.

Qualquer criança brasileira já jogou ‘Taco’ uma vez na vida. Mas não críquete. Matt Featherstone, antigo jogador do Kent ("mas eu era mais ou menos") e agora dirigente da seleção brasileira, está mudando tudo isso. "Quando vamos às escolas, falamos no ‘Taco’, porque os garotos sabem o que é”. As regras são muito parecidas, a não ser pela parte que parece boliche. Eles dizem 'Críquete?! O que é isso?!', e nós respondemos “É o que você está jogando!", explica Featherstone.

Sotaque brasileiro
"Quando me mudei para o Brasil, em 2000, eram só estrangeiros contra estrangeiros. Em 2.001, o (International Cricket Council - ICC) nos perguntou se gostaríamos de nos filiar, mas para fazer isso precisávamos nos organizar melhor e não jogar apenas poucas vezes ao ano. Precisávamos criar uma liga, jogar duas vezes por mês." A Associação Brasileira de Críquete (ABC) foi fundada em 2001 e reconhecida pelo Ministério do Esporte em 2008. "Em 2006, montamos uma seleção e entramos para a terceira divisão do campeonato americano, competindo pela primeira vez no Suriname. O ICC deixa todo o mundo participar do campeonato mundial, todos os 105 países membros", explica Featherstone. A seleção jogou contra a Argentina em 2008, o Chile em 2009 e Bahamas em 2010. "Estamos tentando popularizar o jogo entre os brasileiros, mas é um processo lento", diz.

O Brasil dificilmente vencerá as Índias Ocidentais, uma das potências do esporte, mas já dá suas tacadas. Um time feminino foi fundado em 2007, e o críquete voltará a ser esporte olímpico, mas só depois das Olimpíadas 2016, no Rio de Janeiro. Novembro é o ponto alto do ano do críquete no Brasil, porque será realizado o torneio 20/20, em Curitiba. Além de São Paulo, Brasília e Curitiba, haverá pela primeira vez um time do Rio – graças ao sucesso da versão deste esporte na praia – na competição anual. "São Paulo ganhou nos últimos quatro anos, então esperamos por uma quinta vitória seguida", diz Featherstone.


Torneio Nacional de Cricket T20 Clube Associação Brasil (clube dos funcionários do HSBC), BR 116, No. 25.600 Km 118, Curitiba, PR, 41 3265-1180. 5 e 6/11, 9h12; 12h30-15h30; 16h-19h. Grátis. brasilcricket.org.
Aulas de críquete feathers1970@gmail.com

Escrito por Time Out São Paulo editors
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