Quarentão acelerado

O Autódromo de Interlagos recebe a 40ª edição do GP do Brasil de F1 em ótima forma, apesar do risco que correm (sem trocadilhos) nossos três pilotos

Paul Gilham / Getty Images

O Grande Prêmio do Brasil de F1 deste ano tem um sabor especial para o público paulistano: será a 40ª edição da prova, que encerrará a temporada da mais importante categoria do automobilismo mundial. Desde a primeira corrida, disputada em 1972 e que não contava pontos para o campeonato mundial, o Autódromo Internacional José Carlos Pace, em Interlagos, sediou 29 etapas do GP do Brasil. Desde 2004, a prova passou a ser realizada no final da temporada, sendo o palco da definição de todos os títulos entre 2005 e 2009.

Em 2011, o GP do Brasil volta a fechar o calendário. Com o mundial de pilotos já definido, os atrativos da prova serão a presença de três brasileiros no grid – Felipe Massa, Rubens Barrichello e Bruno Senna –, buscando afirmação em suas equipes e bons resultados. Mas, sobretudo, terá o desfile do mais jovem bicampeão da história da F1, o simpático alemão Sebastian Vettel.

Campeão-prodígio
Duas vitórias nas duas últimas corridas e uma combinação de maus resultados dos adversários deram a Vettel, aos 23 anos, um improvável título mundial de F1 em 2010. Era, apenas, a terceira temporada completa do piloto da Red Bull, mas já estava claro o potencial vencedor do alemão.

Dito e feito. Ele exterminou a concorrência em 2011. Nunca largando abaixo do terceiro lugar e tendo como pior resultado uma quarta colocação, Vettel colocou um ponto final na disputa já no GP do Japão, em outubro, com quatro corridas de antecipação. Fato digno de grandes campeões, como o compatriota e heptacampeão mundial Michael Schumacher, atualmente na equipe Mercedes.

A concorrência tentou, sem sucesso, adiar a nova conquista de Vettel. Com estratégias de prova diferentes e muita regularidade, Jenson Button, campeão de 2009, foi o único que também teve momentos de brilho, como as vitórias nas provas de Canadá, Hungria e Japão.

Companheiro de Button na McLaren, Lewis Hamilton foi pela contramão e teve desempenho decepcionante. Em que pese ter conquistado um triunfo, na China, o vencedor da temporada de 2008 tentou, em várias ocasiões, manobras agressivas e desnecessárias. Resultado: punições e mais punições, como na Malásia, em Mônaco (duas vezes na mesma corrida) e em Cingapura.

Fernando Alonso, o número 1 da Ferrari, pouco conseguiu com um carro inferior aos da Red Bull e da McLaren. Ainda assim, venceu na Inglaterra e se manteve durante todo o tempo na disputa pelo vice-campeonato.

O bicampeonato de Vettel levou a Alemanha à segunda colocação entre os países que mais vezes fizeram campeões da F1, com nove taças, superando as oito do Brasil. À frente, está o Reino Unido, com 14 campeonatos.

Brasileiros em baixa
Pela primeira vez desde 1998, nenhum piloto brasileiro subiu ao pódio nesta temporada. Por motivos diferentes, nossos três representantes tiveram dores de cabeça em 2011 e estão com o futuro na categoria sob risco.

Na Ferrari há seis temporadas, Felipe Massa teve dificuldades para andar no mesmo ritmo do companheiro, Fernando Alonso. Foram do espanhol os melhores resultados da equipe italiana, incluindo a vitória no GP da Inglaterra.

Além disso, o azar acompanhou o brasileiro em diversas ocasiões. A Ferrari falhou com frequência nas trocas de pneus do carro de Massa, o que lhe custou posições e pontos importantes. Os toques recebidos também frustraram sua campanha, com destaque para os incidentes com Mark Webber, na Itália, e Lewis Hamilton, em Cingapura, este último rendendo grande polêmica, quando Massa foi aos boxes da McLaren depois da prova para tirar satisfações com o inglês, punido com uma passagem pelos boxes em baixa velocidade. Dois GP’s depois, na India, novo choque: dessa vez, quem recebeu a punição foi o brasileiro.

Sob contrato com a escuderia italiana até o final de 2012, Felipe Massa ainda tem de lidar com as especulações sobre o seu substituto, a partir de 2013. Os nomes do alemão Nico Rosberg e do mexicano Sergio Pérez são citados com força pela imprensa europeia.

Recordista em GPs disputados na categoria, Rubens Barrichello vivenciou mais um ano de poucos resultados expressivos. O grande vilão foi o mau carro de 2011 da Williams, agravado pela utilização do motor Cosworth, o menos potente da temporada.

Pastor Maldonado, parceiro de Barrichello, mostrou qualidades e conseguiu ter desempenho bem similar ao do brasileiro. Como o venezuelano recebe um polpudo apoio financeiro de uma empresa petrolífera, Rubens pode perder a vaga já no ano que vem. Kimi Raikkonen, campeão mundial de 2007, é um dos cotados.

Depois de penar em uma equipe minúscula, a HRT, em 2010, Bruno Senna se tornou piloto-reserva da Renault-Lotus no início da temporada. Poderia ter assumido a titularidade desde a prova de abertura, na Austrália, já que o primeiro piloto do time, o polonês Robert Kubica, sofreu um grave acidente em uma prova de rali, a ponto de ter a participação vetada na F1 em 2011.

A chefia da Renault-Lotus, porém, optou por Nick Heidfeld, experiente alemão que conduziu o carro nas 11 primeiras corridas, sem muito brilho. Assim, optou-se por afastar Heidfeld e conduzir Senna à titularidade.

Nos treinos, o sobrinho do tricampeão mundial Ayrton Senna – que morreu durante o GP de San Marino, em 1994 – sempre se mostrou rápido. Nas corridas, por outro lado, teve rendimento abaixo do esperado. Ele tem chances de se manter como titular em 2012, mas a concorrência é grande.

O que vem por aí
A tecnologia voltou a causar impacto na F1 em 2011. O KERS, sistema de armazenamento e reutilização de energia, que havia sido banido na temporada passada, foi reintroduzido. Apenas três das 12 equipes não utilizaram o dispositivo, que tem a energia produzida a partir das freadas para gerar mais velocidade aos carros. Os pilotos podem acionar o KERS por até seis segundos em cada volta.

Mas a grande polêmica do ano foi a liberação da asa-móvel traseira. Com um toque, os pilotos agora podem modificar a estrutura da asa traseira do carro, de modo a diminuir o atrito do veículo com o ar, o que aumenta a velocidade, sobretudo nas retas. Nos treinos livres e classificatórios, a asa-móvel pode ser usada livremente, mas nas provas existem áreas específicas em que os pilotos podem acioná-la, e somente se estiverem a menos de um segundo do rival à frente.

No contexto geral, destaque para a mudança da empresa fornecedora de pneus: saiu a Bridgestone, que estava na categoria desde 1997, e entrou a Pirelli, retornando à F1 depois de vinte anos. No início da temporada, o desgaste dos compostos era muito acentuado e rápido, problema que foi contornado no decorrer do ano. A Pirelli criou pneus com quatro tipos de compostos: do supermacio, propiciando maior aderência, mas desgaste mais rápido, passando por macio e médio, até chegar ao duro, com maior durabilidade e menor performance. A cada prova são selecionados dois desses tipos, sendo obrigatória a utilização de ambos pelos pilotos durante as corridas.

Autódromo de Interlagos Av. Senador Teotônio Vilela, 261, Interlagos, 11 5666-8822. 25, 26 e 27 de novembro

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Escrito por Rodrigo Furlan
 

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