GP do Brasil de Fórmula 1 - Interlagos

Nosso ilustre circuito tem sempre lugar de destaque no calendário da F1

Jose Cordeiro/Divulgação
O Autódromo José Carlos Pace

Para os novatos, o Autódromo José Carlos Pace (nome completo de Interlagos) pode parecer um primo pobre e idoso dos novos e lustrosos circuitos da Fórmula 1, como Abu Dhabi e Xangai. Mas é uma das pistas mais veneradas do esporte – o Grande Prêmio do Brasil acontece em um fim de semana aguardado com ansiedade no calendário anual de corridas, graças à fama de festeiro do país. 

Em dias de competição, o ambiente em Interlagos é prova suficiente de que os brasileiros sabem mesmo se divertir. A coisa começa cedo, com as pessoas tomando muita cerveja até o início da corrida, depois de encontrar um bom lugar para sentar. E continua longe da pista, quando, pelo que dizem, a indústria paulistana do sexo vai ao extremo para atender à demanda, apesar dos reforços que chegam de fora da cidade.

Mas o segredo do encanto que Interlagos exerce sobre a comunidade do esporte é algo cada vez mais raro na Fórmula 1: trata-se de um local cheio de história. Muitos dos pilotos mais famosos da modalidade correram e venceram nessa pista, famosa por produzir disputas memoráveis e – graças à sua posição no encerramento do calendário da modalidade –, por coroar novos campeões. É também o mesmo autódromo onde Ayrton Senna venceu em 1991 e 1993, após se aperfeiçoar quando criança na pista de kart que fica atrás do circuito principal.

Preocupações com a segurança fizeram com que muitas das sedes tradicionais do esporte fossem modernizadas e ficassem irreconhecíveis. Por outro lado, os planos do chefe da Fórmula 1, Bernie Ecclestone, de conquistar novos mercados no Oriente Médio e na Ásia levaram à construção de uma série de novas pistas – projetadas por seu arquiteto favorito, o alemão Hermann Tilke – que são repudiadas pelos fãs e comentaristas como produtos estéreis criados para as necessidades da televisão. Em contraste, Interlagos é cercado pela imensidão de São Paulo e não sofreu nenhuma reforma, o que ajudou a preservar o seu mistério.

Mas seus dias como pista ‘vintage’ estão contados: em outubro, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, assinou um contrato com Ecclestone que assegura a continuidade da Fórmula 1 em São Paulo até 2020, desde que o autódromo seja atualizado de acordo com os padrões internacionais. Como parte do acordo, Haddad se comprometeu a concluir as reformas até o Grande Prêmio de 2015.

Por enquanto, os boxes ainda ficam apertadinhos em um dos pits mais claustrofóbicos da categoria – e, com as equipes concorrentes de mecânicos e engenheiros tão próximos uns dos outros, Interlagos é famosa pelas provocações entre eles, o que não acontece nas pistas novas e mais espaçosas.

Beto Issa, press image
Beto Issa, press image
O clima imprevisível faz de Interlagos um dos destaques da remporada

O público também fica apertado e próximo à pista, desfrutando de uma das melhores visões da Fórmula 1. A primeira curva – agora batizada em homenagem a Senna – é uma das mais excitantes dos circuitos; já a subida final, que segue para a linha de chegada com as arquibancadas erguendo-se ao lado, tem uma das visões mais gloriosas e um dos barulhos mais impressionantes. O público das corridas é um dos mais fanáticos e cresceu com a consagração de campeões nacionais, tais como Emerson Fittipaldi, que venceu o primeiro Grande Prêmio do Brasil, em 1973 – e, é claro, Senna.

“Os brasileiros vivem e respiram o esporte, como fazem com o futebol. Entre em qualquer lanchonete perto do circuito e verá fotos de Senna nas paredes”, diz Stuart Turvey, piloto inglês de Fórmula 3 da Dragão Motorsport, uma das muitas equipes que formam a comunidade automobilística de Interlagos. Enquanto muitos fãs só vão ao bairro uma vez por ano para a farra da Fórmula 1, equipes como a Dragão têm Interlagos como o centro de uma indústria que acelera durante o ano inteiro.

Quem tem ingressos para a corrida de sábado está convidado a visitar a garagem da Dragão Motorsport, na pista de kart Senna, onde a equipe competirá na corrida de F3 após os treinos da F1.


Escrito por Tom Hennigan
 

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