Time Out São Paulo

Futebol: Brasil longe do peito

Brasileiro veste a camisa de outro país e cria polêmica

Se você sair por aí perguntando para meninos brasileiros o que eles querem ser quando crescer, ouvirá muitas vezes a mesma resposta: “jogador de futebol”. Defender o time do coração, virar craque e vestir a amarelinha é o caminho dos sonhos de quem escolhe essa carreira. Estar entre os convocados para os jogos do Brasil é como ser indicado ao Oscar de melhor ator, é a consagração de ser um dos melhores naquilo que se faz. Se a seleção brasileira é a mais vitoriosa do mundo, defendê-la parece ser o objetivo natural de todo jogador. Mas não é.

Diego Costa, atacante de 25 anos, naturalizado espanhol e artilheiro do Campeonato Espanhol pelo Atlético de Madrid, tem chamado a atenção justamente por ter renunciado ao Brasil e escolhido defender a Fúria, como é chamada a seleção da Espanha.

Apesar de já ter entrado em campo com o Brasil em duas partidas amistosas – contra a Itália e a Rússia – ambas em março de 2013, Diego não foi convocado para jogar a Copa das Confederações e, depois disso, se mostrou inclinado a defender a seleção espanhola. Sabendo desta vontade, Felipão o convocou para os últimos amistosos do Brasil neste ano, contra Chile e Honduras. Diego, então, anunciou oficialmente sua decisão de jogar pela Espanha.

Não é a primeira vez que isso acontece. E não é de hoje. O atacante Mazzola, campeão junto com Pelé, Garrincha e companhia na Copa de 1958, jogou o Mundial seguinte, em 1962, pela Itália usando outro nome: Altafini. Naquele tempo, a seleção canarinho não convocava jogadores que atuavam fora do país. “Eu não deixei o Brasil, foi o Brasil que me deixou”, disse o atacante na época.

Deco, Liedson e Pepe, todos brasileiros naturalizados portugueses, defenderam a seleção de Portugal. Já Miroslav Klose, um dos maiores artilheiros em Copas do Mundo, joga pela Alemanha, apesar de ter nascido na Polônia. Enquanto Thiago Alcantara, filho do jogador brasileiro Mazinho, optou pela seleção espanhola – o seu irmão, Rafael Alcantara, veste a camisa do Brasil na seleção sub-20.

A Fifa permite que, quando um jogador tem mais de uma nacionalidade, ele escolha qual seleção vai defender, desde que já não tenha jogado pela outra em alguma partida oficial. Diego Costa foi convocado apenas para partidas amistosas, o que faz com que ele possa optar por outro país.

A decisão causou polêmica, claro. Mas o atacante, que nunca jogou por nenhum time brasileiro e se mudou para a Espanha aos 19 anos, tem o direito de decidir o que considera melhor. Foi no país europeu que ele desenvolveu seu futebol. Em um anúncio oficial, Diego declarou que teve de escolher entre o país em que nasceu e o país que deu tudo a ele, e achou que o mais correto seria jogar pelo segundo.

Felipão não gostou. Disse em uma nota para a CBF que Diego “está dando as costas para um sonho de milhões”. Talvez tenha esquecido que, quando era treinador da seleção de Portugal, convocar o brasileiro Deco não foi um problema. Diego não achou – com razão – que teria espaço no time canarinho. Foi valorizado pela Espanha e fez a sua escolha. Para os brasileiros, resta saber se o azar será dele ou nosso. Fica a esperança de que seja Diego Costa quem saia perdendo nessa decisão, e não a seleção.

Escrito por Cecília Gianesi
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