Time Out São Paulo

Felipão em busca do número 9

Constantes lesões de Fred e falta de um substituto à altura preocupam o técnico da seleção brasileira

Luiz Felipe Scolari sempre deixou bem claro que não dispensa um típico número 9 em sua equipe. Na convocação da seleção brasileira no dia 11 de fevereiro, mais uma vez mostrou isso quando declarou: “Eu realmente gosto de um centroavante com bom posicionamento de área, que seja participativo, que trabalhe bem a bola aérea e cumpra um papel tático importante para a equipe”.

Em 2002, ano em que os brasileiros comemoraram o título de campeão mundial pela última vez, o grande herói foi Ronaldo. O então número 9 de Felipão, que comandou a equipe na conquista do pentacampeonato, chegou ao Mundial bastante questionado. Quatro anos antes, na Copa do Mundo de 1998, na França, R9 saíra como o vilão após a derrota na final contra a seleção anfitriã, totalmente perdido em campo depois ter sofrido convulsões poucas horas antes do jogo.

Os anos seguintes também foram bastante complicados para o Fenômeno. Em 1999, uma contusão no joelho direito o afastou dos gramados por cinco meses. Logo na sua volta, em abril de 2000, Ronaldo contundiu novamente o joelho, o que o afastou por longos 15 meses. Ficou dois anos sem vestir a amarelinha e, quando foi novamente convocado por Felipão, todos se perguntavam se conseguiria voltar a jogar como antes. Mas sua atuação não deixou a menor dúvida: marcou oito vezes, duas delas na final contra a Alemanha, e, em 2006, tornou-se o maior artilheiro em Copas do Mundo.

De volta ao comando da seleção após uma década, Felipão encontrou em Fred o que espera de seu número 9. É o titular absoluto do técnico pentacampeão, com um ótimo posicionamento na área e um papel tático fundamental.

Seu histórico prova que ele faz a diferença. Em 2009, foi a peça principal para que o Fluminense, que se encontrava praticamente rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro antes de sua chegada, se mantivesse na elite. Já na campanha vitoriosa da Copa das Confederações, considerada um teste para a Copa do Mundo, Fred foi o artilheiro. Jogou bem e foi efetivo.

Porém, as constantes lesões do atleta preocupam. Fred desfalcou o Fluminense na etapa final do Brasileirão, o que fez com que o rendimento da equipe caísse e o time fosse rebaixado – o que acabou sendo revertido por decisão da Justiça. Com os seguidos afastamentos por conta de problemas físicos, sua condição passou a ser questionada, e a falta de um substituto que dê conta do recado ficou evidente.

Jô, seu reserva na Copa das Confederações, convenceu, mas, caso Fred fique de fora, não há muitas outras opções. Diego Costa seria um bom candidato, já que tem as características do jogador mais enfiado que Felipão procura, mas ele escolheu defender a seleção espanhola. Leandro Damião e Pato, que já foram grandes promessas, decepcionaram em 2013 e não conquistaram suas posições. Tanto que nomes como Hernane, do Flamengo, e Alan Kardec, do Palmeiras, aparecem como possíveis substitutos, apesar de nunca terem sido convocados por Felipão.

A busca pelo reserva ou até mesmo pelo titular da camisa 9 é uma das grandes preocupações de um técnico que já carrega a pressão de ter de conquistar o esperado e exigido hexa em casa. Antes do título, a torcida parece ser para que Fred fique bem longe do centro médico.

Escrito por Cecília Gianesi
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