Time Out São Paulo

Orgulho e Preconceito

Parada Gay retoma vocação política em meio as movimentos de reforço da luta pelos Direitos Humanos 


É tempo de Parada Gay mais uma vez, e a comunidade LGBT – acompanhada de pais, irmãos, primos e amigos héteros – , estará em massa na Avenida Paulista no dia 2/6 para a 17ª edição do animado evento. O tema deste ano é “Para o armário, nunca mais! União e conscientização na luta contra a homofobia”.

O assunto nunca foi tão pertinente, dados os comentários homofóbicos feitos neste ano pelo pastor e deputado federal Marco Feliciano, que está à frente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias do Congresso. Um movimento popular se espalhou nacionalmente contra Feliciano, que disse que “o amor entre pessoas do mesmo sexo leva ao ódio, ao crime e à rejeição”.

O deputado também afirmou que “muitos” membros de sua congregação, que faz parte da igreja evangélica Assembleia de Deus, deixaram de ser gays graças à ajuda espiritual. #FelicianoNãoMeRepresenta, hashtag criada nas redes sociais, foi rapidamente seguida por variações como #LaerteMeRepresenta, em referência ao cartunista e transexual Laerte Coutinho, que comanda a Comissão Extraordinária de Direitos Humanos e Minorias, órgão paralelo e popular criado em 25/4 com uma audiência pública realizada na Praça Roosevelt, em São Paulo.

“De uma certa forma, o episódio Feliciano foi uma coisa boa”, afirmou o vereador paulistano Nabil Bonduki, ao discursar no encontro. “Tivemos que organizar, mobilizar e criar um contramovimento.” Falando na mesma manifestação, o eloquente deputado federal Jean Wyllys afirmou: “Eu preferia que minha sexualidade não tivesse consequências. Mas tem. É estigmatizada. A única maneira que tenho de superar esse estigma é encarnando essa identidade, mas eu preferia não ter de fazer isso.”

Não será nenhuma surpresa ver pelo menos um boneco, máscara ou caracterização de Feliciano circulando sobre a multidão no dia da Parada. Serão cerca de 20 carros alegóricos desfilando até a praça Roosevelt. Depois, às 19h, na Praça da República um show da cantora lésbica Ellen Oléria, vencedora do reality show The Voice Brasil, no ano passado, encerra a grande festa.

‘Grande’, entretanto, é relativo: os registros da Parada do Orgulho Gay de São Paulo já chegaram a 3 milhões de pessoas em anos passados, embora números assim devam ser considerados com certa cautela. Mas, mesmo que as estatísticas divulgadas todos os anos pareçam um pouco entusiasmadas demais, certamente há muito orgulho – e, sim, preconceito também.

Escrito por Claire Rigby
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