Silvetty Montilla

Abelha-rainha encanta o público há quase 25 anos. Drag queen explica por que a SP gay é o máximo

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O que você acha da cena gay de São Paulo?

Após anos trabalhando como drag queen nesta cidade, posso dizer que São Paulo é incrível. É uma cidade imensa, onde tudo acontece. A enxergo como um lugar de oportunidades – há tantos clubes e bares para nos apresentarmos e a plateia tem um monte de lugares para escolher. Gays de todo os país gravitam por aqui. De todo o mundo, na verdade.

Mas por que você começou a trabalhar em São Paulo? Por que não, Rio?

São Paulo é simplesmente enorme, não me vejo morando em qualquer outro lugar agora – eu não conseguiria. Viajo pelo país me apresentando, mas só aqui posso trabalhar de segunda a segunda. Nasci e cresci em solo paulistano, mas não prefiro a cidade por causa disso – é porque eu a amo. Em outras lugares, a vida noturna só acontece nos fins de semana, mas aqui você tem alguma coisa para fazer a qualquer hora, em qualquer dia.

E qual é a melhor coisa na cena gay de São Paulo?

Tudo é maravilhoso! Estive em cidades famosas pela vida noturna gay, como Londres, Paris e Barcelona, e não as achei tão interessantes. Elas são legais, mas São Paulo é melhor. Há tanta coisa para fazer e tanta variedade. Há algo para cada gosto.

E a pior coisa?

As drogas. Cada clube tem seu próprio estilo, mas as drogas estão entrando. Ficam cada vez mais fortes e as pessoas que usam estão cada vez mais jovens. Isso é muito triste e muda a plateia, que responde de forma diferente ao show. Você vai a uma casa noturna para dançar e se divertir e não para usar drogas.

Também não sou muito fã de dark rooms. Se você quer fazer sexo, vá a um motel. Se quer fazer com 10 ou 15 pessoas, então junte todo mundo e vá para um motel. Não tenho nada contra quem gosta de fazer isso, mas se tivesse de escolher entre ter ou não ter um dark room em um clube, minha escolha seria não.

Como é ser a melhor drag queen da cidade?

Bem que eu queria! Só tenho bastante experiência e gosto de trabalhar com humor e improviso. Gosto do que faço e trabalho muito por causa disso, mas também sei que o público é muito exigente. Me adapto à plateia. Me apresento para os gays mais novinhos, para o público das saunas e até em casamentos. Não é todo mundo que faz isso. Eu simplesmente gosto muito do que faço, é uma realização. Não posso dizer se sou a melhor, recebo uma boa resposta do meu público, e isso é bom para o ego, mas não vou ficar aqui me gabando. Vou deixar que os outros façam isso.

Veja Silvetty Montilla nos palcos todo domingo no Blue Space.

Escrito por Arthur Anderman
 

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