DJ Shadow

Sex 19 Out 2012

Em entrevista exclusiva, o mestre dos samples fala sobre o último álbum e a arte de não agradar a todos
Divulgação

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Quando o terceiro álbum do DJ Shadow The Outsider foi lançado, teve uma repercussão contraditória. Muitos fãs dos dois primeiros discos dominados por arranjos sombrios e instrumentais de hip hop – do produtor, DJ e compositor que toca no Cine Joia no dia 19 de outubro – ficaram perplexos. Eles entenderam a empreitada sonora como incoerente, ainda mais com a inclusão de vocalistas convidados, como rappers temperamentais da baía de São Francisco, nos Estados Unidos, onde Shadow mora.

Portanto, os leais fãs do álbum de estreia Endtroducing..., de 1996, reconhecidamente o primeiro feito apenas com samples, ficaram bastante aliviados ao saber que, no último long play The Less You Know, the Better ele voltou a mostrar as características musicais originais. “Se (The Outsider) parecia um empurrão, este álbum é mais como um abraço”, diz Shadow. “Sei que talvez soe pretensioso às pessoas que não sabem do que estou falando, mas o último álbum foi uma provocação e tinha a intenção de ser um pouco chocante, enquanto que este veio naturalmente.”

É claro que o disco tem muitos samples, mas é extremamente eclético. A faixa ‘I’ve Been Trying’ é bluesy, em contraste com a metálica ‘Border Crossing’ – que, segundo Shadow, “soa como um autêntico instrumental de speed metal”, apesar de ser composta apenas por samples.

Os fãs desse mestre em samplear devem tentar identificar o material que ele utilizou em The Less. O número e a variedade de samples são uma das razões de seus álbuns demorarem tanto para sair (este é seu quarto disco em 15 anos). “Uma tonelada de energia é usada para cortar os samples”, explica ele.

– Qualquer coisa com vocais – e qualquer coisa que seja grande –, eu me esforço muito para cortar. E muitas vezes isso é realmente difícil, pois não estou usando samples de James Brown e Parliament, ou de Bon Jovi. Estou usando coisas que são muito, muito obscuras. Há uma canção no álbum que se chama ‘Sad and Lonely’, cujo sample vocal vem de uma gravação dos anos 1950, e simplesmente presumi que a cantora havia morrido. Quando finalmente consegui encontrá-la, ela tinha morrido na semana anterior. Por fim, acabamos achando o marido e o filho dela, e tocamos a faixa para eles. Eles a acharam linda e deram permissão [para o uso do sample].

Construir um álbum quase que completamente a partir de samples também levanta a questão de quando parar, principalmente em uma área em que artistas como Girl Talk e The Avalanches fizeram seu nome utilizando uma enorme quantidade de material pré-gravado.

“Realmente, não importa, de forma alguma, quantos samples foram usados”, diz Shadow. “Depois que eles passam pelo meu detector de besteiras, está pronto – e o que quero dizer com isso é que, se sinto que há um ponto vazio, então a música não está pronta. E, se sinto que a música não tem um ‘momentum’ consistente do início ao fim e se sinto que ela acaba um pouco fraca, então talvez haja algo errado com o arranjo e talvez outro sample seja necessário.”

Quem estiver realmente curioso em saber como o DJ Shadow realiza a magia do sample vai querer assistir ao show em palco paulistano, para jogar luzes sobre a sombra.

Escrito por Sam Gaskin

Serviço

Cine Joia


Endereço Praça Carlos Gomes, 82

Liberdade, São Paulo

Estações próximas Liberdade

Telefone 11 3231-3705

Site de Cine Joia

Preço de R$ 70 até R$ 140

Data Sex 19 Out 2012

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