Lollapalooza 2014

5 Abr 2014- 6 Abr 2014

De volta para sua terceira edição paulistana, o festival de música alternativa agora está mais espaçoso

Raul Aragão/Divulgação

Este evento terminou

Com 23 anos não consecutivos de rock em seu currículo – primeiro um evento itinerante restrito aos EUA e, atualmente, festival fixo em Chicago com passagens pela América do Sul –, o Lollapalooza, agora anual em São Paulo, logo virou uma das datas mais aguardadas pelos fãs de música da cidade. Com uma longa lista de grandes nomes do rock, ao lado de uma seleção de músicos menos conhecidos e alguns talentos locais, o festival deste ano acontece em um novo lugar.

Depois das tentativas de emplacar três dias de shows no Jockey Club, o Lolla volta ao formato original de apenas dois dias. Mas o que perde em tempo compensa em espaço: seu novo endereço, o Autódromo de Interlagos, oferece um terreno consideravelmente maior para acomodar os 160 mil fãs esperados. Foram prometidos mais áreas de alimentação, o dobro de banheiros em relação ao ano passado e distância maior entre os quatro palcos principais, restringindo o som de cada uma das mais de 40 bandas ao respectivo público.

Hoje confortavelmente estabelecido ao lado do outro grande evento indie de São Paulo, o Planeta Terra – cuja sétima edição foi em novembro –, a terceira edição anual do Lollapalooza na cidade é a última de três paradas na América do Sul – depois de Santiago (Chile) e de dois dias em Buenos Aires (Argentina) –, trazendo sua confiável mistura de bandas novatas bem divulgadas com chamarizes já conhecidos. E, embora a ausência de artistas verdadeiramente underground ou experimentais tenha lhe rendido críticas, seu viés mais indie/alternativo ainda significa muito para os fãs brasileiros, minoria numa cena musical que costuma favorecer gêneros de apelo popular, como sertanejo, MPB e samba, e as grandes bandas de metal das antigas, que sempre passam por aqui.

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A banda britânica Muse traz seu som progressivo e pesado
Por isso, talvez haja uma pitada de ironia no fato de o primeiro dos dois dias do festival, que começa em 5 de abril, ter como headliner a banda britânica Muse, cujo rock progressivo influenciado pela música clássica e cujas performances grandiosas no palco ficam mais próximos ao estilo de espetáculo oferecido pelo Iron Maiden do que por bandas indies discretas. Os experimentos do Muse em 2012 com música eletrônica e dubstep, vistos no álbum The 2nd Law, foram apenas temporários, e as setlists continuam a incorporar clássicos de sua sólida discografia, incluindo a animada “Uprising” e a poderosa “Starlight”.

Também na noite de sábado – e não com menos fanfarra –, o Nine Inch Nails traz a inquietação e o ambiente industrial do disco do ano passado, Hesitation Marks, primeiro lançamento do NIN desde 2012, quando seu fundador, Trent Reznor, encerrou o hiato proposital do grupo. A banda americana, que tocou na primeiríssima edição do Lollapalooza em 1991, divide os palcos do primeiro dia com nomes da nova geração: a animada banda francesa Phoenix; a bem intencionada Imagine Dragons, de Las Vegas; o pop com viés sintético do vocalista dos Strokes, Julio Casablancas; e a grande aposta da indústria musical hoje, Lorde (ou Ella Maria Lani Yelich-O’Connor), cantora e compositora neozelandesa de 17 anos que venceu o Emmy de Canção do Ano com o hit “Royals”, do disco Pure Heroine, de 2013. 

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Liderado por Trent Reznor, o NIN tocou no primeiro Lolla, em 1991

Mas, apesar da considerável ala jovem, os dois dias são dominados por uma forte presença do passado. O Soundgarden, sucesso reformado do grunge de Seattle, continua de onde tinha parado, com o vocalista Chris Cornell cantando incansavelmente alto e forte durante todo o processo. Também levantando a bandeira do rock alternativo americano dos anos 1990, estão os poderosos Pixies. Resta ver se a atual baixista, a argentina Paz Lenchantin, já terá passado o bastão quando a banda chegar a São Paulo – a baixista original dos Pixies, Kim Deal (também do The Breeders), saiu em junho do ano passado e sua substituta, Kim Shattuck, foi demitida em novembro.

Outra banda reunida sem o baixista original, a britânica pioneira do new wave New Order, também continua firme, reconfigurada como quinteto e ainda em turnê do bem recebido disco de 2011, Lost Sirens – além de tocar outros hits da balada, como “Blue Monday” e “Temptation”. Domingo promete ainda outro ícone dos anos 1980, Johnny Marr, reverenciado pelo trabalho nos Smiths.

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Os veteranos do indie rock, Pixies, vêm ao Brasil pela terceira vez

Em um fim de semana de tanta nostalgia alternativa, é seguro apostar que muitos dos que ainda não superaram sua paixão da época de faculdade pelo rock devem aparecer no festival com a família a tiracolo. Para quem é jovem demais para apreciar as atrações adultas dos palcos principais, o Kidzapalooza oferece uma programação de atividades e eventos – que inclui até mesmo bandas infantis. O Lollapalooza certamente não começou como um programa para toda a família, mas, até aí, quem esperava ver o Nine Inch Nails ou o New Order ainda firmes e fortes, décadas depois de suas primeiras incursões na cena underground?

Made in Brasil

Com uma respeitável seleção de bandas nacionais tocando no Lollapalooza, apontamos alguns destaques do talento brazuca:

Nação Zumbi

A banda de Recife é lendária por sua importância no manguebeat, movimento cultural do início dos anos 1990 que tinha até um manifesto – coescrito por Chico Science, o primeiro vocalista da Nação Zumbi. Science morreu tragicamente em um acidente de carro em 1997, mas um dos integrantes da formação original, Jorge dü Peixe, assumiu os vocais e a banda continuou produzindo músicas novas. Com um disco ainda sem título programado para ser lançado neste ano – o primeiro desde Fome de Tudo, de 2007, e de um álbum ao vivo também de 2007, gravado na cidade natal da Nação –, o grupo de oito integrantes, que carrega na percussão, certamente vai animar o público. Ouça o som da banda aqui

Apanhador Só

A não ser que você componha músicas infantis ou faça parte de uma trupe de teatro de vanguarda, fazer experimentações com instrumentos como raladores de queijo, patinhos de borracha e baldes é a receita para o suicídio musical. Ainda assim, o Apanhador Só consegue fazer esse som dar certo. O grupo de Porto Alegre, formado em 2006, diz praticar o “vandalismo estético”, mas, para nossa sorte, não parece levar o próprio rótulo muito a sério: notas em falsete fora de lugar, chiados incômodos de metal arranhado e um backing vocal de gemidos só deixam tudo mais divertido, sem atrapalhar a melodia ou competir com os acordes. Enfim, soa mais fofo do que perigoso. Ouça o som da banda aqui

Vespas Mandarinas

O quarteto paulistano foi formado só em 2009, mas já emplacou três discos que mostram seu rock baseado na guitarra. Seu último álbum, Animal Nacional (2013), é uma coleção de faixas bem produzidas, pontuadas por refrões que pegam, ritmos animados e um estilo econômico e inteligente de tocar – que também pode ser conferido em músicas memoráveis e com vocais fortes, como “Cobra de Vidro” e “Santa Sampa”. Se o mundo tivesse o bom senso de gostar de músicas em português que não fossem bossa nova, a banda provavelmente estaria prestes a estourar. Ouça o som da banda aqui

Raimundos

Tocando há mais ou menos um quarto de século e com oito álbuns de estúdio, o Raimundos é uma das bandas de maior vendagem do rock nacional, apesar da saída do vocalista Rodolfo Abrantes em 2001. A banda de viés heavy metal, também classificada como “forrocore” pelo uso de elementos do ritmo nordestino, recentemente seguiu por um caminho independente, com o lançamento em fevereiro do disco Cantigas de Roda (produzido por Billy Graziadei, da banda nova-iorquina de hardcore Biohazard), viabilizado por uma eficaz campanha de crowdfunding. Ouça o som da banda aqui


Escrito por CM Gorey

Serviço

Autódromo de Interlagos


Endereço Av. Senador Teotônio Vilela, 261

Interlagos, São Paulo 04801-010

Telefone (11) 5666-8822

Site de Autódromo de Interlagos

Preço de R$ 290 até R$ 540

Data 5 Abr 2014- 6 Abr 2014

Horário de abertura 11h-23h.

Site de Lollapalooza 2014

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